11 de abril de 2017

Correr só por teimosia

Moro num bairro calmo, um bairro com prédios baixos, algumas casas e com bastantes espaços verdes. Quando me mudei para cá, uma das coisas que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que via na rua ao fim do dia, a passear os cães ou simplesmente a caminhar. Como disse, o bairro é calmo, e até faz sentido. Mas ao longo destes anos ocorreu uma mudança, subtil no inicio, clara neste momento. As pessoas começaram a correr, e não foi só aqui no bairro.
Não sei qual o foi o principal motivo, será diferente para cada um, mas, verifico que correr é uma actividade que tem ganho adeptos de uma forma exponencial. Cada vez são mais os vizinhos, colegas e amigos que correm. Fazem-no na hora de almoço, ao fim do dia, quando conseguem. Alguns, altamente sedentários há uns anos atrás, neste momento correm maratonas, ou duras prova de trail.
As motivações para começarem a correr são muitas e variadas, mas o sentimento é comum: já não se imaginam a parar. 
Para além dos motivos habituais, como estar em forma ou perder peso, há-os um bocadinho menos óbvios. Como correr por amor, porque a sua cara metade o faz, correr para fugir a uma depressão, ou ainda, porque isso é uma forma de largar o sofá, estar com outras pessoas e em contacto com a natureza.
Quem adquire este gosto, corre quando pode. Alguns preferem correr sozinhos, mas a maioria prefere fazê-lo em grupo, mais ou menos organizados, ao sabor da disponibilidade e afinidades de cada um. Tenho amigos que organizam os seus tempos livres em função da corrida. Alguns, marcam as férias em função das provas, e conseguem manter uma dinâmica familiar de apoio, de maneira a alimentar de forma equilibrada esse passatempo, que se torna de tal forma um modo de vida que muitos quase se definem por ele. Podemos até pensar que levam as coisas longe demais, mas se são felizes assim e não prejudicam ninguém, porque não?

E nisto da corrida o que me surpreende é a transformação. A corrida, ao fim de algum tempo transforma as pessoas. E não estou a falar da parte física, dos benefícios de estar em forma, ou do facto de conseguirem ficar perto do peso que idealizaram. Falo da transformação psicológica que lhes observo. Daquela luz que parecem trazer depois de correr, como se fossem donos de um segredo que só eles conseguiram desvendar. Invejo-lhes essa "coisa", que não sei o que é. 
Não me canso de o dizer a toda a hora, gostava de gostar de correr. Quem me ouve, já deve estar farto desta frase, mas não a digo só da boca para fora, digo-a de coração. Um dia, ponho de lado esta aversão que tenho à corrida, calço uns ténis e começo. Nem que mais não seja por teimosia, só para saber o que acontece depois de conseguir vencer o tormento que é para mim, este acto tão pouco natural como correr sem necessidade.  
E vocês, correm? (e gostam?)




Mais um vez aderi ao desafio ACMA, sendo o tema deste mês: hobbies/passatempos. Para mais informação espreitem a página de Facebook para ver o que os outros participantes andam a escrever.

4 comentários:

Claudia Oliveira disse...

Querida Natália eu também não gostava de correr mas quando mudei os meus hábitos alimentares introduzi a corrida na minha vida com o intuito de perder gordura mais rapidamente! Fui correndo 5 minutos depois 10 depois 15 (sempre ao ar livre), inscrevi-me na corrida da mulher por razões solidárias e depois fui participando em outras corridas! Fica o gosto! E eu agora sinto a falta quando não corro durante algum tempo! A sensação que se tem depois de uma corrida é indescritível! Começa....vais ver que não vais parar 😉 um grande beijinho!

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Eu faço caminhadas quando posso, gosto muito. Mas a verdade é que muitos dos meus amigos diz-me isso também, e que correr vicia. Eu detesto correr, mas tenho curiosidade.
Trocar o Ginásio pelo ar livre é tentador. Será que esta aversão passa com o tempo?
Um grande beijinho

mami disse...

correr torna-se viciante... entranha-se a pouco e pouco em nós e depois "agarra-nos"

Escrever Fotografar Sonhar disse...

A ideia de correr até me soa bem. Mas ultrapassar aquela fase em que tudo dói, em que o ar não parece suficiente, em que nos questionamos o motivo de não estar (em vez disso) a relaxar e ler um livro... esse é o grande desafio!