28 de abril de 2014

Acredito no Amor


Por vezes, fico desmotivada. Á minha volta são demasiadas as vozes de desânimo que me toldam o raciocínio e me desorientam. A falar da sorte e do destino, como se não tivéssemos uma palavra a dizer. A responder “mais ou menos” á pergunta “como é que isso vai?”. A achar que não merecemos mais. Quase me deixo convencer que é mesmo assim, que a vida não é só alegria, que não é só festa. Ou melhor, que raramente é alegria ou festa.
Quando tento contrariar a tendência que me rodeia, penso na história da minha amiga Marta, que tanto me enternece e me enche de esperança, que me renova a fé de que basta acreditar com muita força e não ficar parada á espera que tudo aconteça.
Quem a conhece, sabe que se apaixonou, casou, teve três filhos… A vida aconteceu. Mas as pessoas mudam, e nem sempre um casal muda na mesma direção.
Ela foi forte o suficiente para aceitar isso, entender que já não era feliz, que era necessário tomar outro rumo. Uma decisão difícil. Pode até ter pensado que estava a desistir. Mas não, muito pelo contrário! Aceitar a realidade, não é desistir. Querer ser feliz é tudo menos desistir!
Voltou a encontrar o Amor, começou tudo de novo, e neste recomeço não se ficou pela metade, não está mais medrosa, mas mais valente, á sua maneira está a traçar uma nova história, por tudo o que sinto e sei, tenho a certeza que é uma linda história de Amor. Prova (se preciso fosse), que o Amor não é uma oportunidade única, e hoje, é de novo, uma mulher feliz. Acredito que é uma companheira melhor, uma filha melhor, uma amiga melhor uma mãe melhor… porque a felicidade faz-nos melhores.
Quanto ao Rui, gostei dele mal o conheci. Não conheço a sua história antes da Marta, mas para o caso isso pouco importa, faz a minha amiga muito feliz, encaixou naquela família como a peça de lego que faltava, e todos eles o adoram. A sua presença não se limita a somar mas a multiplicar. Só isso verdadeiramente interessa. Esta não é a única história de amor que me enternece e me diz que o Amor é tudo, mas nestes últimos tempos tem sido a que mais me tem feito sorrir, e acreditar.
Acredito cegamente no Amor. Romântico, apaixonado. Dos sentidos e da alma. No seu poder transformador, na sua força. Sempre acreditei. Podemos viver sem ele, mas não é Viver, é sobreviver.
Quando me tentam fazer acreditar que sou demasiado ingénua, que tenho uma ideia demasiado romântica da vida real, que a vida não é “um conto de fadas”, penso na minha amiga Marta e sorrio... A vida não é sempre um conto de fadas, mas pode ser um conto de pessoas reais que a tomam a pulso e a guiam com o coração, e quando a magia do Amor existe, quase parece um conto de fadas...E tudo o resto se torna mais fácil.



 

26 de abril de 2014

25 Abril

Do 25 de Abril de 1974, sei o que li, porque o que os meus pais me contaram foi muito pouco. Tenho cada vez mais consciência da sua importância, e apesar de fazer 40 anos, não é deste aniversário, que vou falar hoje.

Quando me perguntam : " sabes o que estavas a fazer no 25 de Abril? ", eu sorrio e penso sempre na minha amiga J, passo a explicar: 
De há uns 15 anos anos para cá, 25 de Abril significa festa de aniversário da J. 
Faz anos no dia 24, e se na altura da faculdade havia jantarada nesse dia e até dava jeito no dia seguinte ser feriado, após alguns anos, com os filhos de todos a nascer a festa passou para dia seguinte. 
Para mim é já uma tradição. É de tal forma que há quem esteja convencido que ela faz anos dia 25. Há amigos que só encontro nessa festa, que subtilmente passou de uma jantarada para um almoço de reencontros, onde acompanhamos ano após ano a evolução das crianças e as mudanças que nos vão transformando.
A mãe dela é excepcional e tornou-se ao longo deste tempo mãe e avó adoptiva de todos nós.
Neste dia festejamos tudo, a Liberdade, a amizade, a vida e a família. 
Parabéns J. e que venham outros tantos!



24 de abril de 2014

A culpa não é sempre da Mãe!



Não conheço a Sónia. Ou melhor, conheço mal, mas admiro de longe. Ontem lá tive coragem de pedir um autografo.  Disfarcei a vergonha entre a minha amiga Marta e a Ana, ambas muito mais descontraídas, ou não fossem elas estar do outro lado da mesa brevemente...
 A Sónia é linda, uma mãe real que desta vez, levou a cabo a tarefa de desmistificar tanta da culpa que sentimos como mães e como mulheres. Vou ler o livro, e guardar para reler sempre que a sombra da culpa aparecer, porque essa malvada aparece devagarinho e vai-se instalando se me distrair.




19 de abril de 2014

Boa Páscoa

Não me apetecia falar sobre a Páscoa.
Fiquei por cá, e sinceramente, por cá não é a mesma coisa. Sem borrego, sem Pascoelas, Violetas e Primaveras espalhadas pelo chão, sem vasos cheios de flores de Pilrriteiro. Até da bênção das casas tenho saudade, apesar de não ser católica praticante, mas gosto de tradições.
Para mim a Páscoa, mais que o Natal é a festa da família. O celebrar da Primavera, do renascimento e da vida.
Também estarei no campo, também estarei em família, mas faltam os cheiros, os sabores, as visitas de casa em casa, a provar os petiscos e os doces de quem gostamos e de quem gosta de nós.
Lá, em Trás-os-Montes, onde nasci, é assim, uma festa muito católica, mas exuberante, cheia de excessos culinários. Com muita alegria e partilha, sempre de portas abertas a quem chegue, para provar o Folar e um Favaios, um moscatel que nada deve ao de Setúbal.

Boa Páscoa!


After Post:

A Pascoa passou. E apesar de estar certa que ia passar sem eu ter provado o tradicional borrego, isso não aconteceu. No fim do dia, após todas as festividades em família, quando já tinha chegado a casa e vestido o pijama, uma amiga apareceu e trouxe-me umas costeletas de borrego panadas que estavam divinais! Foram a minha ceia. Vinda do Alentejo e sabendo da minha saudade, foi uma querida trouxe o miminho. A sua mãe que é uma excelente cozinheira, fez os pratos típicos que eu tanto aprecio. Mas há mais… Para além das costeletas tive direito a farófias que fizeram as minhas delicias à meia-noite, quando a gula atacou...
E é isto, no fim do dia, a Pascoa acabou por aparecer vinda do Alentejo, trazida pela mão de uma amiga, embrulhada nos sabores tradicionais que eu tanto ansiava.  
Obrigado M!

Lisboa à noite

Ontem fui a Lisboa à noite.
E se esta frase só por si não parece trazer nada de extraordinário, na verdade esconde um mundo de sensações.
Para mim passear em Lisboa, traz-me sempre um misto de excitação e aventura. De noite, mesmo nas ruas mais banais sinto que sou uma personagem de um filme, cheio de mistério e glamour. Apetece-me passear sem destino, descobrindo ruas, e recantos cheios daquela luz magica projectada pelos candeeiros que parecem tirados dum filme do Sherlock Holmes.



Por recomendação do meu irmão, fui conhecer um restaurante em Alfama recém aberto na rua da Padaria, chamado Castiço (devia ter tirado fotografias). Na verdade o nome é a sua melhor descrição. Bem decorado, com um atendimento afectuoso, tem petiscos muito bem confeccionados que vale a pena provar. A musica agradável, o ambiente limpo e o espaço apesar de não ser muito grande é amplo e arejado.



Depois do repasto descemos até ao terreiro do Paço para assistir ao espectáculo de luz "A Primavera é linda" recomendado pela Pumpkin. O meu filhote de 4 anos fica sempre fascinado, mas nunca mais esquece a primeira projecção e pergunta sempre pelos barcos...


















Para mim, a grande estrela da noite foi Lisboa (é sempre), se não tivesse um puto mega excitex para pôr na cama, e pudesse continuar pela noite fora, teria mantido por mais tempo a ilusão, de ser uma personagem num filme, o meu filme.




13 de abril de 2014

Vila de Rei

Gosto de caminhar, em grupo ou sozinha. Durante esse tempo, ponho os meus pensamentos em dia, sinto o sol e todos os cheiros que a natureza oferece. Carrego baterias.
Caminhar também me permite conhecer sítios novos, sítios onde de outra forma não iria. Apreciá-los com a calma de quem está ali para isso. É das poucas coisas que me faz sair da cama ás 6h da manhã a um sábado. Aproveito para fazer outra coisa que gosto muito, fotografar, actividade que me dá a ilusão de ter congelado o momento.
Este Sábado foi em Vila de Rei, e em uma das muitas aldeias de Xisto, das redondezas, cada vez mais bonitas, mais respeitadas na recuperação de sua essência. Ficam algumas fotografias que deixam uma pequenina ideia do percurso.



















9 de abril de 2014

Não se pode voltar atrás

Por vezes gostava de voltar a ser criança. Sentir que tudo pode ser alcançado.
Quando somos crianças não há impossíveis. Na nossa imaginação tudo acontece. As barreiras que vamos criando na nossa mente ainda não existem. E o que não conseguimos hoje, sabemos no nosso íntimo que quando “formos grandes” então sim, chegaremos lá, e isso basta.
Olhando para trás, vejo muitos sonhos que perdi, ou abandonei. Uns porque deixaram de fazer sentido e foram substituídos por novos sonhos, outros porque me convenci serem impossíveis ou demasiado difíceis de alcançar. Nem todos foram perdidos, mas sinto que fui mais vezes guiada pela cabeça que pelo coração, resultado talvez, de alguma pressão ou conselhos  familiares e receio de falhar.
Hoje, olhando para trás aceito que foram as escolhas mais ou menos pensadas que me trouxeram até aqui, mas descobri que as que me trouxeram para mais perto da minha essência foram as que fiz instintivamente, com o coração. As mais racionais e conscientes foram as que me desviaram mais de mim.
Analisando à posteriori decisões que tomei, apercebi-me que quando escolho um determinado caminho só por ser mais fácil acabo por ficar desapontada. Esta constatação leva-me a questionar algumas das minhas escolhas.
Não posso voltar atrás e guiar a criança que fui, mas se for verdadeira comigo, e ouvir mais vezes o coração posso guiar a pessoa que sou agora.    


8 de abril de 2014

Primavera na Serra da Estrela


















Um céu avassalador... O contraste do calor e do frio, a beleza da neve na montanha, a natureza no seu melhor. Matei saudades, mas não é a mesma coisa.


5 de abril de 2014

A neve

Tenho tantas saudades da neve…
De a ver cair. De acordar, e lá fora tudo branco. Intocado. A brilhar ao sol.
Sou de Trás-os-Montes. De uma terra pequenina que ninguém conhece, ainda neva duas ou três vezes por ano no Inverno, e quando falo com a minha mãe ao telefone e ela me diz que está a nevar fico sempre com aquele aperto da saudade. Volto às minha infância e recordo a alegria imensa que sentia nos dias de neve. Nessa altura, logo pela manha, a minha mãe acordava-me a mim e aos meus irmãos com um sorriso de quem tinha uma surpresa do tamanho do mundo. Saímos da cama e íamos a correr para a rua, ainda de pijama. Quando avistávamos a neve, tínhamos um momento de deslumbramento em que parecia estarmos num mundo mágico. Ficávamos uns segundos em silêncio a absorver a beleza. As árvores nuas cheias de neve, os caminhos com algumas pegadas. A paisagem imensa coberta por um lençol branco. Depois do assombro inicial, saltávamos para a neve tão fofa que parecia algodão doce, na tentativa de sermos os primeiros a deixar as nossas pegadas no quintal. Se estava a nevar tentávamos apanhar os flocos de neve com a língua como se de uma iguaria rara se tratasse.
Dia de neve era sempre dia de diversão! Ficávamos isolados, não havia escola, era só brincar...
Tenho saudades da beleza, da serenidade, do silêncio, a natureza parecia quase um postal a preto e branco, não fosse um apontamento de cor aqui e ali...


Balada da neve

Estou em modo melancólico. Tenho saudades da "minha neve" na serra de Montesinho.
Deixo um poema de Augusto Gil, decorei-o na escola primária e ainda hoje me é muito querido:

Balada da neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.


2 de abril de 2014

Confrontos

Sou uma pessoa pacifica. Não gosto de discutir, nem de confrontos. Isto significa, que assumo que não sou dona da verdade absoluta e não faço questão de defender as minhas opiniões. Como consequência, deixo muitas vezes coisas por dizer.
Por vezes, quando do outro lado da "conversa" está uma daquelas pessoas que gosta de evidenciar que está certa e os outros estão errados, apesar de não concordar, assumo que não vale a pena discutir e desisto. E ás vezes é mesmo o melhor a fazer, que há "guerras" que só nos cansam, não valem o tempo perdido e o desgaste.
Quando não tem qualquer importância, rapidamente esqueço o assunto, mas há alturas em fico com o "sapo" atravessado, sei que devia ter defendido o que acredito, e o facto de não o ter feito deixa-me com a sensação de ter sido atropelada.
Hoje educadamente, (apesar de ter ficado uma pilha de nervos), defendi o que acreditava ser importante. Posso ter arranjado uma chatice com a outra pessoa, que não admite ser contrariada, mas no fim senti-me bem comigo por me ter defendido.

1 de abril de 2014

E se hoje tivesse sido o dia das verdades?

Conseguiria-mos nós passar um dia inteiro sem contar uma mentira (mesmo aquelas pequeninas) ?
Afinal porque mentimos nós?
Porque não queremos decepcionar os outros, dar mais explicações, dar parte de fracos, não queremos preocupar alguém, estragar a nossa imagem, assumir a culpa, não queremos mostrar o que realmente sentimos, não estamos para ouvir sermões, … e por aí fora...
Adiantará de alguma coisa? Somos mais felizes assim?
Vale a pena construir uma imagem à qual estamos constantemente a tentar corresponder, sem sucesso?

Quem fica a perder com a falta de sinceridade?