5 de abril de 2014

A neve

Tenho tantas saudades da neve…
De a ver cair. De acordar, e lá fora tudo branco. Intocado. A brilhar ao sol.
Sou de Trás-os-Montes. De uma terra pequenina que ninguém conhece, ainda neva duas ou três vezes por ano no Inverno, e quando falo com a minha mãe ao telefone e ela me diz que está a nevar fico sempre com aquele aperto da saudade. Volto às minha infância e recordo a alegria imensa que sentia nos dias de neve. Nessa altura, logo pela manha, a minha mãe acordava-me a mim e aos meus irmãos com um sorriso de quem tinha uma surpresa do tamanho do mundo. Saímos da cama e íamos a correr para a rua, ainda de pijama. Quando avistávamos a neve, tínhamos um momento de deslumbramento em que parecia estarmos num mundo mágico. Ficávamos uns segundos em silêncio a absorver a beleza. As árvores nuas cheias de neve, os caminhos com algumas pegadas. A paisagem imensa coberta por um lençol branco. Depois do assombro inicial, saltávamos para a neve tão fofa que parecia algodão doce, na tentativa de sermos os primeiros a deixar as nossas pegadas no quintal. Se estava a nevar tentávamos apanhar os flocos de neve com a língua como se de uma iguaria rara se tratasse.
Dia de neve era sempre dia de diversão! Ficávamos isolados, não havia escola, era só brincar...
Tenho saudades da beleza, da serenidade, do silêncio, a natureza parecia quase um postal a preto e branco, não fosse um apontamento de cor aqui e ali...


2 comentários:

Joanico disse...

Nem me digas nada! Mas que saudades! Porém, hoje, ainda que momentos como esse se repitam, a magia de então não será mais a mesma. Como o Natal e a Primavera (que eu adorava): sabemos que voltam todos os anos, mas nunca mais voltaremos a sentir o seu regresso. Pelo menos comigo, aconteceu isso. E tenho muita pena.

Escrever Sonhar disse...

Tens razão... Já não é a mesma coisa, há uma intensidade que a infância nos dá, que não se repete, mas continuo a ficar deslumbrada sempre que vejo tudo branco.