9 de abril de 2014

Não se pode voltar atrás

Por vezes gostava de voltar a ser criança. Sentir que tudo pode ser alcançado.
Quando somos crianças não há impossíveis. Na nossa imaginação tudo acontece. As barreiras que vamos criando na nossa mente ainda não existem. E o que não conseguimos hoje, sabemos no nosso íntimo que quando “formos grandes” então sim, chegaremos lá, e isso basta.
Olhando para trás, vejo muitos sonhos que perdi, ou abandonei. Uns porque deixaram de fazer sentido e foram substituídos por novos sonhos, outros porque me convenci serem impossíveis ou demasiado difíceis de alcançar. Nem todos foram perdidos, mas sinto que fui mais vezes guiada pela cabeça que pelo coração, resultado talvez, de alguma pressão ou conselhos  familiares e receio de falhar.
Hoje, olhando para trás aceito que foram as escolhas mais ou menos pensadas que me trouxeram até aqui, mas descobri que as que me trouxeram para mais perto da minha essência foram as que fiz instintivamente, com o coração. As mais racionais e conscientes foram as que me desviaram mais de mim.
Analisando à posteriori decisões que tomei, apercebi-me que quando escolho um determinado caminho só por ser mais fácil acabo por ficar desapontada. Esta constatação leva-me a questionar algumas das minhas escolhas.
Não posso voltar atrás e guiar a criança que fui, mas se for verdadeira comigo, e ouvir mais vezes o coração posso guiar a pessoa que sou agora.    


2 comentários:

Joanico disse...

Pois é amiga! Aqui estou eu que fiz exactamente o oposto de ti e raras vezes soube agir de modo racional e bem pensado. Sempre fui atrás dos meus impulsos ou do que sentia e.... Creio que não sou hoje mais feliz e realizada que tu, por isso, nem sequer sinto estar mais próxima da minha "essência", como tu dizes, bem pelo contrário :) Muitas vezes me questiono "como teria sido", se a cabeça se tivesse imposto mais vezes (muitas mais, para ser sincera). Sou de opinião que as coisas são o que são e nós somos o que somos. O que muda é a nossa inocência e com ela a capacidade de fantasiar e acreditar. Dantes eu fantasiava e, mesmo sabendo que estava a fantasiar, tinha a capacidade de acreditar nas minhas fantasias (ainda que por momentos) e gozá-las ao máximo. Divertiam-me imenso (julgo que foste a única a aceitar e a compreender esse meu lado, verdadeiramente) . Hoje até posso fantasiar, mas não esqueço que o faço (nem por um instante) e isso, faz toda a diferença. Cá entre nós: ser adulto é uma bela seca! Deixem-se de tretas :)

Escrever Sonhar disse...

Se calhar é importante recuperar um bocadinho essa descontracção da infância (não sei ainda como), ser mais verdadeiros connosco, sermos menos reféns da opinião alheia. Na verdade, tenho mais dúvidas que respostas...