3 de junho de 2014

As quatro estações

Por vezes, passo num mesmo dia pelas quatro estações do ano no que toca a estados de espírito.

À noite, quando deito a cabeça no travesseiro, revejo o meu dia, a minha vida. O que foi, o que disse, o que deveria ter dito, penso demais. Analiso, arranjo explicações, tomo decisões. Tudo parece frio e cinzento. Olho para trás, o luar ilumina a estrada que percorri. Longa, vazia, sinuosa. Ladeada por árvores quase nuas, adormecidas pelo vento que insiste em arrancar as ultimas folhas encarquilhadas. Olho em frente e o nevoeiro mal deixa vislumbrar a curva que me leva para o desconhecido. Não consigo desligar, a insónia mortifica-me. Quando chove, a alma fica limpa e descanso.

Acordo cansada, melancólica, indecisa, ainda entre dois mundos, o que fui e o que sou. Com vontade de me enroscar e hibernar. Por vezes hiberno. Entrego-me aos sonhos, ou pesadelos... E acordo de novo. Atrasada. Corro como se fosse o coelhinho branco da Alice. A água leva tudo, todos os fantasmas desaparecem através do ralo.

Quando saio para a rua e vejo o sol, sinto-o a entranhar-se na pele, a preencher todos os recantos. Devolve-me a energia e a esperança. Renasço. Novas oportunidades de fazer melhor, de resolver, de acrescentar. Ouço uma música no rádio, canto em voz alta para espantar os vestígios de nevoeiro, e acredito que vai ser um dia bom, que tudo se resolve. O dia começa agora, e só pode correr bem. Anseio por recuperar o tempo perdido.

Ao longo do dia o humor vai variando. Primavera,Verão, Outono, Inverno.
Uma canseira!

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