28 de julho de 2014

Bragança

Cidade a que regresso sempre.













Passeio nas ruas antigas, estreitas, de pedra, que guardam os passos de muitos. Também os meus. De hoje e de outrora. Repetições infinitas desse calcorrear quase deslizante que poderia fazer de olhos fechados.
Recordações de momentos vislumbrados na luz leitosa que aquece as pedras.
Vejo-me por vezes só, mas muito mais com tantas pessoas que me acompanharam em dias que pareciam maiores. Recordo-os com sol, mas também foram iluminados pela luz da lua, em noites de copos de gargalhadas e de lágrimas.
Encontro recantos de confidências, de partilha e de promessas. Viajo ao passado e evoco amigos especiais, amigas de sangue e alma que me transformaram, me moldaram e me fizeram gente.

27 de julho de 2014

Rio Tuela

Praia Fluvial da minha infância.



Fui muito feliz aqui quando era miúda.

Saíamos de manhã pela fresca duas ou três famílias juntas com mantas e todo um aparato indescritível. Comida que parecia alimentar um regimento, mas que desaparecia antes do final do dia.

Aqui aprendi a nadar com os mais velhos, aqui reencontrava amigos da escola nas "férias grandes", aqui fiz e recebi declarações de amor...



Continua em estado selvagem, apesar de ter sido invadido por algumas tendas e caravanas.

Quis partilhar este lugar tão especial com o meu filho, para que ele também saiba que o verão não se faz só de praia e piscinas.

Disseram-me que não se volta onde fomos felizes. Eu volto.

26 de julho de 2014

Vinhais


Uma manhã bem passada. 
Um almoço tardio num sitio improvável que se revelou um achado. 









Já disse que adoro burros?
Estes eram do mais meigo que há...

Podem visitá-los no Parque Biológico de Vinhais.

25 de julho de 2014

Trás-os-Montes em imagens


Natureza em estado (quase) puro.


 O meu filho... ou o Tom Sawyer ?









Adoro burros.

Doces, teimosos, meigos... Lindos!

Primeira etapa das férias

As férias em Trás-os-Montes passaram num sopro quente de verão. Seco e abrasador.
Dou por mim a rever o que foi dito e feito, e a tentar aceitar o tanto que ficou por dizer e fazer.
Processo demasiadas emoções contraditórias.
Vou dormir, ainda com o sabor agridoce da despedida.


18 de julho de 2014

Férias

Preparo-me mentalmente para as “férias de verão”. 
Deixaram de ser verdadeiramente férias há muito tempo, daquelas sem hora marcada, quando os dias nasciam em branco e eram preenchidos ao sabor duma vontade instantânea.
Agora são mais uma mudança de rotina e de paisagem, onde tento encaixar no tudo o que tenho para fazer, aquilo que realmente me apetece, e as pessoas com quem gosto muito de estar. 
Regresso a Trás-os-Montes na próxima semana. Julho não é o melhor mês. Ninguém está de férias. Primos e alguns amigos ainda não estão por lá. 
O mês dos reencontros é Agosto. É quando todos os que foram para longe regressam. O mês que eu também costumo escolher para lá ir, o único mês que me permite estar com a minha família toda, que é grande.   
Mas este ano decidi que vou agora. A minha mãe não se encontra bem, embora ela não concorde, precisa de ser animada. Vou com esta ideia de lhe levar alegria em forma de neto.  
Lamento que o meu filho não vá usufruir da companhia dos avós em pleno, mas dou graças porque ainda tem avós. Porque tem a oportunidade de conviver com eles, nem que seja só duas ou três vezes por ano.
Sou grata, porque tem um sítio a que chama orgulhosamente Aldeia, onde os dias passam devagar, ao ritmo da natureza. Em lugares assim podemos construir lembranças preciosas.
Ali naquele lugar que conheço de olhos fechados, pode brincar despreocupadamente, sujar-se sem pejo, apanhar fruta da árvore, beber numa fonte, molhar os pés na "agueira", deslumbrar-se com todos os animais que por lá se encontram nos prados e por vezes nos caminhos, tão típicos da ruralidade de uma aldeia transmontana. 
Num sitio assim, à noite, a Lua é maior, as Estrelas são mais brilhantes, os cheiros inebriantes, os ruídos misteriosos... 
Aos olhos de uma criança de 4 anos, todos os dias são uma aventura. E para mim, é isso que verdadeiramente importa. Ver a alegria dele e poder partilhá-la com os avós. 


16 de julho de 2014

Comer Orar Amar ...

Ou no original Eat Pray Love.
Este livro, que li duma penada numas férias em cabanas antes de ser mãe, serviu de inspiração para o nome do blogue, numa equivalência que faz sentido para mim.
A história como eu a interpreto, descreve uma tomada de consciência e um ponto de viragem, consequentemente o despertar para um caminho de descoberta, através de experiências físicas e espirituais de forma a trazer-nos para mais perto da nossa essência e do objectivo primordial, ser feliz.

Acredito que são múltiplas as formas de chegar à felicidade, cada um deverá encontrar as suas. 
O ponto de partida será sempre a consciência do que somos e do que queremos ser, de onde estamos e para onde queremos ir, em conjunto com a capacidade de sentir se estamos no caminho certo. 
A partir daí depende de nós.



15 de julho de 2014

Egoìsta

Hoje senti-me egoísta.
Por uns momentos só pensei em mim e foi libertador. Clarividente.
A seguir veio a culpa, e estragou tudo.

13 de julho de 2014

A minha Mãe e eu

Não entendo a minha mãe. 
Por mais que tente não consigo chegar lá. Somos muito diferentes. 
Naturalmente herdei pequenos detalhes que só nós percebemos, e a par disso, dou por mim a usar algumas das suas expressões características quando falo com o meu filho. Mas nas coisas que realmente marcam a personalidade de cada uma, estamos em pólos opostos. 
Gostaria de ser daquelas filhas que têm uma ligação de grande cumplicidade com a mãe, das que não conseguem deixar passar dois dias sem falar com ela, de tudo e de nada. Como tantas... Não sou, e falta-me isso. 

Durante a minha adolescência tínhamos desentendimentos frequentes. Só quando ficámos a 500 km de distância, iniciámos uma aceitação progressiva das particularidades de cada uma. A maturidade trouxe o respeito mútuo, mas a compreensão ainda não.
Não entendo a sua maneira de encarar a vida. Como se não esperasse nada dela.
Deixando correr dias iguais, sem sonhos nem ambições, a cumprir “serviços mínimos”, e por vezes nem isso. Se esse comportamento a fizesse feliz, se vivesse o dia a dia sem cuidados, descontraidamente, eu aceitaria sem questionar, mas a verdade é que não o faz.
Parte do tempo está num desalento que me mirra a alma. Fico com o coração apertado de saber que não consigo ajudar, de sentir que estou longe, e ela está lá, a passar por tudo quase sozinha.
Em alturas de extremo desânimo, não se cuida, não se mima, num desmazelo que dá dó.  Até que a saúde se ressente desse desleixo. Chega ao fundo, e nessa altura já só recupera com ajuda.

Quando regressa a uma normalidade “precária”, dá gosto ver, canta, brinca, passeia, visita as irmãs e as amigas, cuida das suas coisas, anima-se com os netos. Nestes períodos a comunicação flui melhor, é mais mãe, mais avó, mais mulher. 
Mas algum tempo depois, a espiral  instala-se e recomeça mais um ciclo descendente.
Nesta altura, quando começa a "descambar", isola-se, baixa os braços à primeira dificuldade, entrega-se à lassidão e a desculpas esfarrapadas. Desiste de tudo. De ser, de fazer, de ir.
Quando percebemos que está a desistir, damos-lhe um “abanão”, para ver se reage, falamos-lhe dos netos, das coisas boas e simples que pode fazer. Raramente funciona quando já está em maré vazia.

Eu e os meus irmãos, ainda não descobrimos como evitar ou reverter estes ciclos negativos cada vez mais frequentes, para a ensinar a fugir deles. Sabemos que em circunstâncias extremas, ela é capaz de grande força e coragem, já aconteceu. Mas usar dessa vontade, e essa coragem numa base diária parece ser demasiado. Há ali qualquer coisa que a impede de simplificar, de aproveitar os pequenos prazeres e de os cultivar. Algo que a vai afastando de si própria e da necessidade primária de ser feliz.

Não compreendo a minha mãe, mas ela sabe (as mães sabem sempre!) que gosto muito dela, o Amor basta-se, não precisa de compreensão.


12 de julho de 2014

Decidir

Há decisões e decisões. Pesamos prós e contras, olhamos para dentro de nós. Decidimos. 
Ou não. Que não decidir é também uma escolha, raramente a mais sensata mas que nos assiste.
Há decisões que tomam por nós, assumindo que nos conhecem, mas nas quais não temos qualquer voto. Comparações são feitas, equações quase matemáticas das quais só conhecemos o resultado final.
Por vezes basta um quero ou não quero, gosto ou não gosto. Intuitivo, espontâneo.
Outras vezes são postas de lado as razões válidas, os prós e os contras, as competências..., e tudo se resume ao vil metal.
Perante essas revoltam-se-me as entranhas.


10 de julho de 2014

Da amizade

Os amigos são como os nossos filhos quando saem do "ninho", precisam de mais mundo.
Apesar de gostarmos de os ter sempre por perto, são para partilhar com quem os estima como nós.
Há que os deixar ir para outros voos sem mágoa, e quando voltarem recebe-los de braços abertos.
A verdadeira amizade, tal como o amor, nunca se divide, continua a multiplicar-se.


7 de julho de 2014

Tempo

O nosso tempo é finito e inegociável.

Não vale a pena perdê-lo em coisas que não nos interessam.
Não vale a pena desperdiça-lo com rancores e vingança.
Não vale a pena defraudá-lo com quem não nos respeita.
Não vale a pena guardá-lo para quem nos entristece.

O nosso tempo é demasiado precioso.

É para oferecer aqueles que amamos.
É para partilhar com as pessoas que gostam de nós.
É para dividir com quem nos faz felizes.
É para enriquecer com quem nos ensina o mundo.




4 de julho de 2014

Despedida

Hoje despedi-me de um amigo. Um amigo verdadeiro com uma energia fora de série.
Um colega dos bons, dos que alegram o dia quando parece mais cinzento.
Trocou o certo pelo incerto, o conforto pelo sonho e pela possibilidade de crescer e ir mais longe.
Onde outros se lamentam, ela agiu, teve a coragem de tomar uma atitude.
Sinto que vai correr bem, pois tem o mundo no coração, o horizonte no olhar e alma de viajante.  
Vai para longe, mas hoje o mundo é uma aldeia e a distância já não se mede só em Km.

Até já F.

Opções II

Relativamente ao post anterior, o que o meu coração me diz, é que cada um sabe de si. O importante é dar tempo de qualidade aos nossos filhos, ou seja quando estamos com eles estarmos mesmo.
Nunca vamos conseguir "ir a todas", estando em casa a tempo inteiro ou não. O importante é conseguir ser feliz com as opções que tomamos e transmitir esse sentimento aos nossos filhos. Eles serão mais felizes se nós também o formos.
Quanto a mim, a dependência financeira total nunca seria uma escolha.


3 de julho de 2014

Opções

Um dos grandes problemas dos últimos tempos, é o desemprego. Não é um problema distante, ou de que só se ouve falar na televisão, está muito próximo de nós, ronda-nos. 
Já não deve haver ninguém que não tenha um amigo ou familiar nesta situação.   
O desemprego tem obrigado as pessoas a rever as suas escolhas e a ponderar seriamente sobre as suas possibilidades. 
Enquanto alguns optam por seguir o mesmo rumo, seja em Portugal ou no estrangeiro, outros decidem seguir uma direcção completamente nova apostando em competências diferentes ou perseguindo sonhos antigos. 
No meio das várias escolhas a que tenho assistido, há uma que me surpreende e que ainda não entendi por completo, trata-se da decisão de algumas mulheres, de deixar de procurar emprego, reduzir despesas, abdicar de algumas coisas materiais e voltar ao conceito familiar de mãe a tempo inteiro. 
Obviamente esta solução não é possível para todas as famílias, pois nem sempre só um ordenado chega para o básico, mas para quem esta opção é uma realidade, faz agora as seguintes afirmações:
"Estou muito melhor assim."
"Acabou o stress, a falta de tempo, a culpa."
"Acompanho muito melhor os meus filhos em tudo, estou mais disponível para o marido, melhorou a harmonia familiar."  
"Dou-lhes menos, mas têm o essencial : tempo, disponibilidade, amor. "

Questiono-me :
Será suficiente a longo prazo? A  realização profissional é um mito, ou nem todas precisávamos disso? E se o casamento correr mal, será possível voltar ao mercado de trabalho alguns anos depois? 
Poderá vir a ser esta solução uma tendência? 

E quanto a nós, que temos mesmo de trabalhar, será que estamos a negligenciar os nossos filhos, são eles menos felizes por isso ?