18 de julho de 2014

Férias

Preparo-me mentalmente para as “férias de verão”. 
Deixaram de ser verdadeiramente férias há muito tempo, daquelas sem hora marcada, quando os dias nasciam em branco e eram preenchidos ao sabor duma vontade instantânea.
Agora são mais uma mudança de rotina e de paisagem, onde tento encaixar no tudo o que tenho para fazer, aquilo que realmente me apetece, e as pessoas com quem gosto muito de estar. 
Regresso a Trás-os-Montes na próxima semana. Julho não é o melhor mês. Ninguém está de férias. Primos e alguns amigos ainda não estão por lá. 
O mês dos reencontros é Agosto. É quando todos os que foram para longe regressam. O mês que eu também costumo escolher para lá ir, o único mês que me permite estar com a minha família toda, que é grande.   
Mas este ano decidi que vou agora. A minha mãe não se encontra bem, embora ela não concorde, precisa de ser animada. Vou com esta ideia de lhe levar alegria em forma de neto.  
Lamento que o meu filho não vá usufruir da companhia dos avós em pleno, mas dou graças porque ainda tem avós. Porque tem a oportunidade de conviver com eles, nem que seja só duas ou três vezes por ano.
Sou grata, porque tem um sítio a que chama orgulhosamente Aldeia, onde os dias passam devagar, ao ritmo da natureza. Em lugares assim podemos construir lembranças preciosas.
Ali naquele lugar que conheço de olhos fechados, pode brincar despreocupadamente, sujar-se sem pejo, apanhar fruta da árvore, beber numa fonte, molhar os pés na "agueira", deslumbrar-se com todos os animais que por lá se encontram nos prados e por vezes nos caminhos, tão típicos da ruralidade de uma aldeia transmontana. 
Num sitio assim, à noite, a Lua é maior, as Estrelas são mais brilhantes, os cheiros inebriantes, os ruídos misteriosos... 
Aos olhos de uma criança de 4 anos, todos os dias são uma aventura. E para mim, é isso que verdadeiramente importa. Ver a alegria dele e poder partilhá-la com os avós. 


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