31 de agosto de 2014

Do lado de fora

Agir por impulso. Fazer tudo ao contrário.
Ir sem planos. Andar sem destino, reagir em vez de agir.
Sentir diferente. Não pensar.
Falar tanto como ouvir.
Receber uma lição de humildade.
Quebrar certezas. Ficar ainda mais confusa.
Assim foram os últimos dias.


26 de agosto de 2014

Frágil

Hoje, por motivos que não vou detalhar, enfrentei o que todos sabemos mas preferimos ignorar, que somos muito frágeis. Feitos do poderoso pó das estrelas, mas ainda assim, frágeis.
Basta virar a esquina no momento errado, uma distracção e voltamos a ser pó. Matéria a reciclar.
De nós e da nossa verdadeira essência, fica o que conseguimos ensinar e as memórias doces, nos corações que fomos tocando ao longo da nossa vida, mais ou menos conscientemente. Nisto somos todos iguais.
A nossa eternidade não passa de um momento breve. Efémero como uma recordação.
Só o amor permanece.

Há quem advogue que se deve viver cada dia como se fosse o ultimo.
Por oposição também há quem defenda que o melhor é vivê-lo como se fosse o primeiro.
Eu não consigo viver na ansiedade voraz do ultimo dia  nem no deslumbramento inocente do primeiro, mas vejo-me a respeitar cada dia como se fosse único, irrepetìvel, porque na verdade... é.


25 de agosto de 2014

Falar ou escrever

Sou um pouco reservada, na vida passo mais tempo na plateia que no palco. Sempre achei que tinha mais a aprender que a ensinar. Quando o papel de observador não me agrada, ou sinto que tenho algo a dizer, salto para a ribalta, mas por falta de prática nem sempre me sinto confortável com a troca.
Como consequência, deixo-me ficar cada vez mais vezes neste papel confortável mas redutor.
Por sentir que ultimamente ando mais calada e introspectiva, fiz uma espécie de auto-análise para entender o motivo. 
Cheguei á conclusão que por ser sossegada, tenho tendência para me sentir mais à vontade com pessoas extrovertidas, e os meus amigos são quase todos assim. Exuberantes, faladores. Rodei-me de pessoas que são o oposto de mim, como é natural. 
Consequentemente, numa conversa, fico a maior parte do tempo calada a ouvir. O meu tempo de antena é menor, e não faz mal, na maior parte das vezes prefiro assim.
Acontece, que pontualmente até quero participar mais na conversa em curso, ou porque tenho mais a dizer, ou porque quero falar sobre outros temas. Nem sempre tenho essa oportunidade.
Opto então, por não "impingir" as minhas opiniões e depois o momento certo... passa.
Este cantinho tem servido também para me dar o espaço que precisava para escrever, sem interrupções. Umas vezes em forma de desabafo outras como um exercício de auto conhecimento.
Desta forma verbalizo o que me apetece sem me sentir chata ou intrusa e sem ninguém me cortar a palavra. Sei que não resolve, mas ajuda.


23 de agosto de 2014

Madrugadora eu?

Gostava de ser pessoa madrugadora.
Daquelas que acordam com o nascer do sol como os passarinhos, já a cantar. A transmitir por todos os poros que a vida é bela, uma dádiva para ser aproveitada ao máximo. Ou como diz a minha amiga Marta “gozada até ao tutano”.
Imagino que deve ser espectacular acordar bem cedo cheia de energia. Cheia de vontade de começar o dia, de partilhar com os que nos rodeiam o entusiasmo de simplesmente existir. Conseguir fazer a manhã render, criando aquela sensação libertadora de tanto já feito com o dia ainda no inicio.

Não sou de madrugar. Não é natural em mim.
Acordo com dificuldade, a pensar devagar, a agir em piloto automático. Só depois do banho se começa a apagar a sonolência. Nem acordo com fome...
Todas as soluções ou planos que pareciam fáceis e claros na noite anterior, revelam-se complicados e obscuros à luz turva das primeiras horas do dia.
Se me entregar ao mau humor matinal, só depois do primeiro café é que as pessoas que me rodeiam começam a ser toleráveis, tal como as suas conversas sobre tudo e sobre nada. 
Resisto ao mau humor com todos os truques que me lembro.
Com o meu filho, são beijos, abraços e cocegas, pois acordo pouco faladora. 
Para prevenir a carantonha matinal no trabalho (porque os colegas não tem culpa), na viagem de carro procuro ouvir música alegre, obrigo-me a cantar e antes de sair do carro faço caras com sorrisos forçados de maneira que o meu “bom dia” ao segurança, no momento em que entro no edifico onde trabalho, seja alegre e bem disposto, tal como todos os outros que se seguem. 
A não ser que haja um problema que necessite de resolução imediata, e provoque um excesso de adrenalina, só por volta das 10h é que o trabalho começa a fluir bem e a sonolência desaparece completamente.

À noite mesmo cansada, quando tudo fica calmo e começo a desacelerar, surge um período com uma espécie de hiperactividade mental, que me obriga a travar uma luta, entre a vontade de aproveitar essa energia extra sem sono, e a necessidade de dormir, pois a noite já vai longa, a manhã não tarda, e vou acordar cansada mais uma vez.
Por vezes acredito que posso dar a volta a este ciclo vicioso, que consigo ficar até tarde e acordar cedo, à noite tudo parece possível a quem se sente tão bem, com tanta energia… Caio muitas vezes neste engodo que o cérebro me oferece. 
De manhã, não é bem assim. E o ciclo recomeça.
Haja café!

O Planeta só tem uma rotação, e eu não estou em sintonia com ela.

19 de agosto de 2014

Dia mundial da fotografia







Fotografias...
Poemas sem palavras,
Pinturas de luz,
Fragmentos de recordações.

Amizade do deserto

Dizem que a amizade é como as flores, precisa de ser regada. Que é como quem diz, acarinhada. Precisa da nossa atenção.
Não discordo completamente. Tenho amigos assim.
Mas eu, pessoa algo distraída e por vezes absorvida em demasia nas minhas coisas (devia regar mais), tenho a grande sorte de ter dois ou três cactos no meu jardim de amigos.
Amigas que, podem passar meses, atrevo-me mesmo a dizer anos sem qualquer contacto ou notícia, basta um telefonema e parece que foi ontem a ultima conversa.
Foi assim hoje com a M.J. Como é sempre.

Conheci-a no Liceu.
Quando achava que já tinha a minha melhor amiga (de infância que adoro!), fiz a melhor descoberta do mundo: descobri que podemos ter mais que uma melhor amiga!
Éramos inseparáveis, tão diferentes e tão complementares. Descobrimos um mundo infinito juntas. Partilhámos a dor e a felicidade extrema do primeiro grande amor e da primeira desilusão. Chorámos e rimos juntas. Rimos muito mais do que chorámos. Partilhámos segredos, alguns avassaladores.
Inventámos vidas para nós e para os que nos rodeavam. Trocámos cartas de tantas páginas que já não cabiam nos envelopes.

O tempo passa. A vida acontece.
Já não somos aquelas meninas idealistas armadas em intelectuais, que debatiam:
"em ultima análise o altruísmo é a mais elevada forma do egoísmo, pois o ser humano só pratica o bem quando isso lhe traz uma enorme satisfação pessoal..." , só porque sim.
Também já não somos as meninas ingénuas que teciam teorias mirabolantes, com base num determinado olhar ou frase proferida pelo objecto de paixão do momento, e esmiuçavam todos os significados possíveis, em frases que começavam por :
"mas achas que..."

Não somos as meninas idealistas e ingénuas de há 20 anos atrás, mas elas continuam cá dentro, e quando falamos ao telefone, ou nos encontramos, saltam cá para fora, cobrem-nos como uma segunda pele, misturando-se com as mulheres que somos hoje. O resultado é simplesmente avassalador!
A sensação de leveza, a descontracção, a confiança inabalável, aquela centelha de loucura e irreverência...
Não sei se é da saudade do que fomos, ou da ligação única que criámos, mas tenho a certeza que estes momentos tão perfeitos, que nos devolvem uma parte tão doce de nós, são uma partilha quase espiritual.

Na loucura conjunta, a conversa geralmente acaba ás gargalhadas, com a visão mil vezes projectada de nós duas, com 90 anos, num lar de velhotes a catrapiscar os enfermeiros jeitosos que por lá se encontrem e a sarrazinar a cabeça aos restantes!
Pois este foi o nosso pacto de amizade há 20 anos atrás...

17 de agosto de 2014

Optimismo versus realismo

Cada vez mais admiro pessoas optimistas. Pessoas que conseguem ver o lado bom de tudo. Que têm sempre fé no sucesso das empreitadas que decidem tornar suas. Que vão à luta.
De há uns tempos a esta parte todos os dias tento sê-lo mais um pouco. Quando não nos é intrínseco não é fácil. 
Sou filha de uma pessimista e de um optimista (a faísca que aquilo dá...).
Sempre acreditei que nenhum dos dois estava a ver bem as coisas, ambos errados. Optei, se isso é possível, por ser realista. 
Pensar o melhor preparar-me para o pior. Analisar os vários ângulos de qualquer questão. Não arriscar demasiado.
Tarde concluí que vivia na ilusão de controlar o destino. Se me antecipasse, se fosse cautelosa, se me protegesse, se não me expusesse demasiado, ...
TRETAS!!
Não controlamos nada. Podemos estar preparados para mil e uma coisas. Aparece sempre a coisa mil e dois para acabar com o nosso sossego.
Mais vale dar o nosso melhor, e acreditar que tudo vai correr bem.
Se correr... ESPETACULAR! senão... pelo menos gozámos o caminho. A vida.

Como diz a minha amiga F. : Não vale a pena "pré-ocupares-te!"


(Pai, agora acho que tu é que tens razão...)



16 de agosto de 2014

Do outro lado da lua

As férias de verão, aqueles dias pelos quais suspiramos o ano inteiro, podem não se transformar sempre no descanso idílico esperado. Por um lado, porque se partilha um espaço geralmente reduzido, durante 24h diárias durante muitos dias seguidos. Por outro, as expectativas acumuladas durante um ano inteiro raramente são atingidas. Se a somar a isto levamos na nossa bagagem mental situações por resolver, temos as condições ideais para transformar o paraíso num... purgatório.
Quando há demasiado tempo livre, a mente vagueia e disseca o que não se resolveu e ficou camuflado. Não há como fugir das questões. Por vezes a panela ferve e as impurezas vêm ao cimo. Uma pequena contrariedade pode ser o catalisador para exacerbar algumas das nossas piores características. Os defeitos de quem está mais próximo são vistos à lupa e a tolerância baixa para muito perto de zero.
Nesta altura só queremos distancia de nós e dos nossos pensamentos. Sair de casa. Ocupar o tempo o mais possível. Estar com outras pessoas. De vez em quando conseguimos mesmo desligar. Ter momentos de pura felicidade.
Mas uma vez que nos entregamos à reflexão tomamos consciência do que não está bem, torna-se mais real, sabemos que estamos a "empurrar com a barriga". Aquela voz na nossa cabeça, que quase não conseguíamos ouvir, ganha força, torna-se estridente.
E não há quem a ature...



14 de agosto de 2014

Férias (parte três)

A terceira semana de férias foi o regresso ao conforto das rotinas. Ao reencontro de amigos.

Para o meu filho de foi a brincadeira até cair de sono.
Construções megalómanas na areia. Saltos na piscina.
Correrias à noite na esplanada habitual, com os seus amigos e outros que se foram juntando ás brincadeiras.
Joelhos esfolados de tão cansado o andar, ou trôpego o correr, de mão dada com a sua amiga M.








Para mim, mais que tudo, foi vê-lo feliz.
Foi o regresso à cumplicidade com pessoas que me conhecem tão bem, que adivinham quando não me apetece falar, que partilham os silêncios ou os desabafos, à sombra numa espreguiçadeira da piscina, a horas improprias do dia, enquanto as crianças almoçam.
Os jantares nos restaurantes do costume que adoramos (a cataplana mista, os chocos picados com alho e salsa da Adega do Ti Costa, …).
A experiência de sítios novos e sabores invulgares (Alheira com molho de frutos vermelhos, galinha cerejada com figos e amêndoas no Moiras Encantadas de Paderne).
A descoberta das bolas de Berlim de alfarroba na praia. Divinais!
O esticar dos dias de praia até já não haver sol, nem bolas de Berlim. Só nós, e a vontade que as férias congelem nesse momento de águas calmas, horizonte vermelho, brisa suave e o  coração mais sereno.










Claro que também houve birras feias, refeições tumultuosas, idas ao médico com uma alergia ao sol,  implicações por tudo e nada, gritos, calor a mais, calor a menos, cama desconfortável, e por aí fora… que não vivo num mundo perfeito de fadas e unicórnios.
Mas disso não quero falar agora. Agora é tempo de recordar as coisas boas que são as que verdadeiramente contam. As que quero guardar deste verão.



13 de agosto de 2014

Ayamonte

Quando a D. foi embora o meu filho ficou um bocadinho macambúzio, tentei algumas graçolas sem resultados. Só arrebitou quando lhe disse que os amigos estavam a chegar.
Durante o resto do dia a pergunta até à exaustão foi "os amigos já chegaram?"
Devia ter ficado calada...

Na manhã seguinte o dia acordou cinzento. Estava frio para ir à praia, os amigos ainda não tinham chegado e o meu filhote tinha preguiça de sair de casa. Parecia que os desenhos animados eram a sua melhor ocupação.
Eu, pessoa que não gosta de estar fechada em casa em tempo de férias, decidi que iríamos passear. Acabámos em Ayamonte a comer gelados.
As varandas exibiam algumas figuras ... interessantes.




A originalidade não se ficou só pelas varandas.




Como o dia arrebitou, e o sol apareceu, nós voltámos para aproveitar a tarde na praia. 




12 de agosto de 2014

Quinta do Mel

Decididos a mostrar o que nos encanta nas redondezas, levámos a D. à Quinta do Mel.

A Quinta do Mel é uma pequena quinta que fica perto da praia da Falésia.
Descoberta no primeiro ano em que por lá passámos férias, é um sítio a que regressamos sempre, seja para jantar, beber um chá ou comer um doce tradicional.




Na quinta é produzido e comercializado o mel que trazemos sempre connosco, a par de ervas aromáticas e outros produtos tradicionais do Algarve. Parte da quinta dedicada ao agroturismo mantém um pequeno restaurante, onde fomos já surpreendidos com alguns pratos confecionados por uma senhora muito talentosa.




Nesse pequeno espaço campestre e tão perto da praia, podemos usufruír de fins de tarde magníficos, noites cálidas, com cheiros de alfazema e alecrim, misturados com o som dos grilos e outros seres que o habitam.
O meu filho brinca no jardim, com os meninos que por lá se encontrem, filhos de hóspedes, ou de outros comensais, pois para as crianças a brincadeira é o objectivo primordial da sua existência e nem a barreira linguística os atrapalha.








A somar a toda esta beleza natural, encontramos ano após ano, sempre as mesmas pessoas que nos recebem muito bem, e nos incentivam a participar com críticas e ideias valorizando a nossa opinião, fazendo-nos sentir em casa.





Recomendo de coração.

11 de agosto de 2014

Praia de Olhos de Agua

Enquanto a D. nos fez companhia, tentámos que entre idas à praia e à piscina pudesse ver um pouco mais das redondezas, uma vez que não conhecia aquela parte do Algarve.



No segundo dia depois de almoço, para evitar a praia na hora "má", fomos passear a Olhos de Agua.
A praia ainda de pescadores é muito acolhedora e convive com o turismo de uma forma simbiotica, casando as tasquinhas da terra com os restaurantes mais modernos, mantendo a culinária tradicional mas acrescentando alguma inovação que não choca.






















Passeámos na rua que vai dar à praia como turistas curiosas, entrámos nas pequenas lojas e experimentámos "trapos" de praia como duas miúdas.
Subimos promontórios para usufruir da vista de tirar o fôlego, de lá pudemos ver recantos que só os mais audazes encontram e que parecem pedacinhos do paraíso.



















Falámos de tudo e de nada. Dos sonhos e da realidade desta vida, que nos permite chegar até eles com mais ou menos esforço.


10 de agosto de 2014

Férias (parte dois)

Quase desligada do mundo virtual durante três semanas, farei na medida do possível nos próximos dias, o resumo do resto destas férias. Fotografei menos do que tinha planeado, (mesmo em férias, o tempo não dá para tudo), mas mesmo assim consegui tirar algumas fotos do meu filho que guardam momentos irrepetíveis. É cada vez mais difícil, pois agora foge da máquina!

Depois de Trás-os-Montes, fizemos uma paragem obrigatória em casa para arrumações  várias e um frenético desfazer e refazer de malas, antes de rumar ao Algarve.
Na primeira semana a Sul, fez-nos companhia a D. convite que me lembrei de fazer de repente, e que ela aceitou com muito agrado nosso.
A D. é a namorada (mulher) do meu irmão L. Ele está longe a velejar e ela tinha uns dias livres. É uma miúda bem disposta que combina na perfeição com o sol, a praia e o meu filhote que a adora! Foi uma semana que passou depressa demais. Entre mergulhos, conversa boa e muita brincadeira. 
Se antes, conhecendo-a mal, já gostava dela, agora, após estes poucos dias de convivência ficou com lugar cativo no meu coração.




O destino foi a praia da Falésia. Praia encontrada um pouco por acaso num fim de semana de Páscoa há uns anos atrás, e onde regressamos pela quarta vez em férias, sempre que possível combinadas com um casal de amigos (e vizinhos) de longa data que muito estimo, também eles com filhos pequenos, que são quase como irmãos do meu.
Esta praia que adoramos, fica perto de Albufeira a seguir a Olhos-de-Agua, protegida por uma falésia lindíssima em múltiplos tons de ferrugem. A coroar a paisagem um pinhal verde que contrasta na perfeição com o azul do céu e do mar.




É também uma praia bastante sossegada por se encontrar afastada do centro de Albufeira, ideal para famílias com crianças. O mar é calmo e a agua limpa com aquele azul que nos enche as medidas.




Nos fins de tarde quando os banheiros fecham a porta, a brisa sopra quente na nossa pele, e o sol baixinho imprime na paisagem uma luz que ainda me emudece de deslumbramento.