16 de agosto de 2014

Do outro lado da lua

As férias de verão, aqueles dias pelos quais suspiramos o ano inteiro, podem não se transformar sempre no descanso idílico esperado. Por um lado, porque se partilha um espaço geralmente reduzido, durante 24h diárias durante muitos dias seguidos. Por outro, as expectativas acumuladas durante um ano inteiro raramente são atingidas. Se a somar a isto levamos na nossa bagagem mental situações por resolver, temos as condições ideais para transformar o paraíso num... purgatório.
Quando há demasiado tempo livre, a mente vagueia e disseca o que não se resolveu e ficou camuflado. Não há como fugir das questões. Por vezes a panela ferve e as impurezas vêm ao cimo. Uma pequena contrariedade pode ser o catalisador para exacerbar algumas das nossas piores características. Os defeitos de quem está mais próximo são vistos à lupa e a tolerância baixa para muito perto de zero.
Nesta altura só queremos distancia de nós e dos nossos pensamentos. Sair de casa. Ocupar o tempo o mais possível. Estar com outras pessoas. De vez em quando conseguimos mesmo desligar. Ter momentos de pura felicidade.
Mas uma vez que nos entregamos à reflexão tomamos consciência do que não está bem, torna-se mais real, sabemos que estamos a "empurrar com a barriga". Aquela voz na nossa cabeça, que quase não conseguíamos ouvir, ganha força, torna-se estridente.
E não há quem a ature...



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