23 de agosto de 2014

Madrugadora eu?

Gostava de ser pessoa madrugadora.
Daquelas que acordam com o nascer do sol como os passarinhos, já a cantar. A transmitir por todos os poros que a vida é bela, uma dádiva para ser aproveitada ao máximo. Ou como diz a minha amiga Marta “gozada até ao tutano”.
Imagino que deve ser espectacular acordar bem cedo cheia de energia. Cheia de vontade de começar o dia, de partilhar com os que nos rodeiam o entusiasmo de simplesmente existir. Conseguir fazer a manhã render, criando aquela sensação libertadora de tanto já feito com o dia ainda no inicio.

Não sou de madrugar. Não é natural em mim.
Acordo com dificuldade, a pensar devagar, a agir em piloto automático. Só depois do banho se começa a apagar a sonolência. Nem acordo com fome...
Todas as soluções ou planos que pareciam fáceis e claros na noite anterior, revelam-se complicados e obscuros à luz turva das primeiras horas do dia.
Se me entregar ao mau humor matinal, só depois do primeiro café é que as pessoas que me rodeiam começam a ser toleráveis, tal como as suas conversas sobre tudo e sobre nada. 
Resisto ao mau humor com todos os truques que me lembro.
Com o meu filho, são beijos, abraços e cocegas, pois acordo pouco faladora. 
Para prevenir a carantonha matinal no trabalho (porque os colegas não tem culpa), na viagem de carro procuro ouvir música alegre, obrigo-me a cantar e antes de sair do carro faço caras com sorrisos forçados de maneira que o meu “bom dia” ao segurança, no momento em que entro no edifico onde trabalho, seja alegre e bem disposto, tal como todos os outros que se seguem. 
A não ser que haja um problema que necessite de resolução imediata, e provoque um excesso de adrenalina, só por volta das 10h é que o trabalho começa a fluir bem e a sonolência desaparece completamente.

À noite mesmo cansada, quando tudo fica calmo e começo a desacelerar, surge um período com uma espécie de hiperactividade mental, que me obriga a travar uma luta, entre a vontade de aproveitar essa energia extra sem sono, e a necessidade de dormir, pois a noite já vai longa, a manhã não tarda, e vou acordar cansada mais uma vez.
Por vezes acredito que posso dar a volta a este ciclo vicioso, que consigo ficar até tarde e acordar cedo, à noite tudo parece possível a quem se sente tão bem, com tanta energia… Caio muitas vezes neste engodo que o cérebro me oferece. 
De manhã, não é bem assim. E o ciclo recomeça.
Haja café!

O Planeta só tem uma rotação, e eu não estou em sintonia com ela.

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