26 de setembro de 2014

Escrever

Por vezes pergunto-me para quem escrevo.
Só contei a meia dúzia de pessoas. Pessoas que me são muito próximas, e/ou de mente aberta.
Não por ter vergonha do que escrevo, mas por saber que é uma janela, que uma vez aberta não poderei fechar.
Neste intervalo, entre decidir se quero ou não abrir esta janela, vou continuando a escrever, porque acima de tudo escrevo para mim, por mim. Mesmo quando tenho sono e me obrigo a continuar. Mesmo quando o que escrevo só para mim faz sentido. Mesmo quando apago tudo a seguir.
Porque já abdiquei de tanto para não incomodar, por comodismo, por insegurança...

Nesta redescoberta pelo gosto da escrita vou pondo cá para fora emoções que precisam de apanhar ar, de serem vistas à luz do dia. E é revelador reler e perceber melhor os meus motivos. conhecer-me, aceitar-me. Claro que ainda me policio muito. Tenho múltiplos rascunhos que nunca coloquei no blogue. Mas o acto de os escrever foi muitas vezes terapêutico e isso é o que escrever tem de melhor. Aproxima-me de mim.
Fico frente a frente com os meus desejos, os meus medos e os fracassos. No que toca ás coisas boas, é uma maneira de gravar a quente, a lembrança da felicidade sentida, para mais tarde a revisitar e me servir de sol em dias mais nublados.
Desisti de muita coisa, mas não me parece que vá desistir de escrever.
De vez em quando lá vou aprendendo uma ou outra lição que a vida me dá.

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