22 de setembro de 2014

Eu quero

As crianças vivem para testar limites. Os deles os nossos e os do mundo que os rodeia. Sei disso, faz parte da programação de base, é saudável. Cabe-nos a nós mostrar-lhe onde ficam alguns desses limites.
No caso do meu filho, com apenas 4 anos, "eu quero..." é o principio de grande parte das suas frases... não tem nada de mal, pois deixa-nos completamente esclarecidos acerca do que pretende, mas quando se aplica a brinquedos e a seguir vem a birra... a conversa pode azedar...

Eu cresci no campo, passei a minha infância toda a brincar na rua, sempre que o tempo o permitia. Acompanhada pelos meus irmãos e amigos, a natureza era o nosso mundo de aventuras.
Quando se trata de brincar, a convivência com outras crianças e o ar livre, são a melhor que lhe podemos proporcionar, não há brinquedo que substitua isso.

Sei que os brinquedos fazem parte do crescimento, também são importantes, na medida que os ajuda nos seus jogos de faz de conta, na construção física do seu imaginário.
Também os desejei, também os tive, apesar de ter sido a uma escala completamente diferente.
Na minha opinião, nunca os devem receber só porque os pediram. De mão beijada.
Devem ser adequados, com conta peso e medida.
Quanto mais têm, mais querem, menos valor lhes dão.

Tal como nós são assediados pela publicidade, brinquedos novos aparecem entre cada episódio de desenhos animados a que assistem. Nos hipermercados há todo um mundo associado ás suas séries preferidas que os chama. E eles vão. E pedem. E se detectam alguma fraqueza está o caldo entornado...

Desde cedo tento transmitir ao meu filho que não pode ter tudo, há escolhas a fazer e algumas opções não estão disponíveis. Nisto sou clara e tenho sido bem sucedida, vai ao corredor dos brinquedos, olha para eles, namora-os, mostra-me os seus preferidos, mas aceita pacificamente que não são para levar.
De vez em quando, após algum tempo de namoro, se entendo que é razoável, compro um dos que andou a namorar, mas nunca quando o pede. Só quando ele não está por perto, nem está à espera.
Também eu adoro ver a cara dele quando recebe o brinquedo tão desejado! Das melhores coisas do mundo (do meu mundo), é ver-lhe a felicidade estampada no rosto.
Mas a verdade, é que apesar de tudo isto, ele tem brinquedos que quase não usou, que foram moda passageira, que são demais...

Receio que em breve, outro tipo de pressão vá surgir. A dos colegas. Assisto entre miúdos mais velhos que alguns brinquedos são moeda de troca. Cartão dourado para pertencer ao grupo.
Confesso que ainda não sei como vou gerir essa situação.
Quando essa dia chegar logo vejo...



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