27 de outubro de 2014

Caminhada em Castelo de Vide

Isto das caminhadas, é algo que aprecio cada vez mais.
Para além do convívio com pessoas que partilham deste gosto, alarga-me o horizonte.  Visito ou revisito sítios com um novo olhar e um respeito crescente.
Claro que não me agrada acordar ás 6 da manhã ou mais cedo ainda, admito que a viagem pode ser longa e entediante, mas uma vez a caminhar, a respirar o ar puro da natureza, a subir e a descer trilhos, florestas e serras tudo isso desaparece, esfuma-se como a bruma da manhã ao sol. Desta vez foi em Castelo de Vide.




O tempo estava esplêndido. Quando me inscrevi para esta, já há algum tempo sabia que era arriscado, que podia estar a chover, mas confiante no Verão prometido para Outubro decidi que as probabilidades estavam a meu favor. Tive sorte.

Saídos de Lisboa ás 7h da manhã, chegámos a Castelo de Vide passava das 10.  
Tomámos o segundo pequeno almoço no Doces e Companhia, onde o difícil foi escolher, e iniciámos a caminhada em direcção à serra de São Paulo, deixando para trás a Vila.

























O inicio de cada caminhada é sempre um misto de excitação entusiasmo, que nos leva a acelerar o passo na ânsia de abarcar tudo sem demora. Neste caso fomos rapidamente recompensados num miradouro com uma vista de tirar o fôlego.






Uma boa parte do percurso foi feita  em troços de uma calçada Medieval que ligou em tempos Castelo de Vide e Portalegre, facilitando desta forma a nossa caminhada e tornando-a mais interessante, pois de pensar que aquelas pedras lisas já foram percorridas por Lusitanos de tempos imemoriais, leva-me a dedicar-lhe os passos como se de uma homenagem se tratasse. 





A subir para a igreja de Nossa Senhora da Penha, passámos a Fonte Santa, que diz-se ter surgido do chão como por milagre, no inicio das obras da Igreja para saciar a sede a quem necessitasse.











Do adro da capela a vista panorâmica sobre a vila é verdadeiramente assombrosa, compensa largamente a escadaria percorrida para lá chegar.









A caminhada repleta de beleza natural teve também o seu momento de humor, quando nos deparámos com um belissimo escritório alcatifado a relva, do mais puro verde alentejano.

Após a volta pela serra, regressámos para o tão desejado (e merecido) almoço no restaurante D. Pedro VLocalizado na praça do mesmo nome é uma referência gastronómica da região. 
Confesso que parte do encanto destas caminhadas reside no almoço. Este é o momento de me deliciar com algo típico de cada recanto visitado. Neste dia o prato principal era composto de veado estufado com castanhas. Apesar da estranheza inicial do veado, combinado com o sabor das castanhas, acabou por ser um prato bem conseguido. A sobremesa conventual á base de doce de ovos e castanha, tendo sido muito elogiada por todos, no meu entender era excessivamente doce.
Findo o almoço e antes de continuar para as ruínas da cidade romana de Ammaia "saqueámos" as lojas do centro da vila para trazer os bolos típicos da região. Eu perdi-me por umas queijadas e boleima de maçã, doce que não conhecia e do qual fiquei fã!  



A Cidade Romana de Ammaia a meio caminho de Marvão e Castelo de Vide é uma visita que recomendo a quem por lá passar. Entre castanheiros, aveleiras e outras árvores de fruto, podemos apreciá-la e constatar que pouco resta das construções. Tal como outras, foi "saqueada" ao longo dos séculos para construir palácios e igrejas em Portalegre. Muitas das pedras foram também utilizadas na construção das muralhas de Marvão e de Castelo de Vide e em várias edificações particulares.

Apenas uma ínfima parte da zona baixa da Cidade de Ammaia foi objecto de escavação, por isso é difícil ter uma ideia de como seria nos seus tempos áureos, ou a sua extensão real, mas pelas peças encontradas e expostas no interior o museu, podemos inferir que teve alguma importância. 



Ainda antes de voltar para Lisboa, mesmo no final do dia, não pudemos deixar de visitar Marvão.



Marvão, no meu entender para além de lindo é acima de tudo imponente. Visto de fora faz-me lembrar um navio de pedra encalhado no cimo da Serra. Na sua proa o castelo observa o vale á sua frente como se de um vigilante se tratasse.
No interior das muralhas a pequena vila caiada de branco repousa confiante da sua inexpugnabilidade. 





No adro da igreja pequenos grupos de pessoas locais, aproveitavam os últimos raios de sol de Outono. Observavam-nos de máquinas fotográficas em riste, a tentar captar a beleza natural da sua vila, e sentia-se nesse olhar toda a sua admiração pelo património que partilham com quem por lá passa.

Cheguei a casa cansada mas de alma cheia. 
E trouxe comigo muito mais que um saco de doces deliciosos, trouxe recordações repletas de imagens inesquecíveis. 

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