15 de outubro de 2014

O que faria ela?

Tenho a cabeça a mil. Em hemisférios opostos travo a eterna batalha entre a razão e a emoção. Esgrimo argumentos. 

Falámos ao telefone. Fiquei feliz porque ligou, porque me disse que isso a ajuda. Mas estou a tentar decidir se devo ou não acatar o seu pedido de não interferência. Sinto-lhe os gritos silenciosos. Ouço o que não é dito. adivinho o jogo de espelhos. 
A minha vontade é ignorar o "bom senso" e ir lá. Apanhar o comboio e simplesmente dizer, estou aqui. Mas vacilo. Já me foi explicado por A mais B que o melhor é ficar por cá, que só lhe consumiria o pouco tempo que tem para o que é mais importante. 
Racionalmente faz sentido, entendi os motivos, não lhe quero dispersar a atenção, se calhar atrapalho mais que ajudo. 
Mas o coração diz que é para ignorar a lógica, que em questões do sentimento, a cabeça só nos atrasa. 
Volto a remoer os argumentos, listo os prós e os contras. Dou-lhes mais uma volta. Procuro um novo ângulo. Algo que me tenha escapado. Estou num impasse.
Custa-me estar tão longe. Não fazer nada. Ser só ouvidos. Não ser abraço. Não poder olhar nos olhos. Imaginar. 
E agora que li na frase que acabei de escrever, a palavra "custa-me...", realizo que não quero ir só por ela. É também por mim. E eu nesta matéria, por comparação com tudo o resto, sou insignificante. Não faço parte da equação.
Vai daí, pergunto-me : O que faria ela se a situação fosse ao contrário?  Se fosse eu a dizer não venhas...
O que faria ela?






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