9 de novembro de 2014

Fala-se de crise

Fala-se de crise. Mais que falar vive-se. Mas chega a esta altura as pessoas perdem a cabeça.
Um hipermercado que toda a gente conhece, coloca os brinquedos com 50% de desconto e toda a gente corre para lá, apesar da crise ou por causa dela.
E eu também fui. 

Com os sucessivos aumentos de imposto e cortes de ordenado, temos que ser criativos, rever prioridades. Eu, de há uns tempos para cá, entre outras medidas, tento criar plafonds (razoáveis) para prendas, abafar o lado consumista e valorizar mais os afectos, o tempo, a atenção, os mimos e tudo o que se pode partilhar sem preço. Mas sei que com as crianças mais pequenas, é difícil resistir, é difícil não comprar o brinquedo que o fará sorrir e pular de alegria, aquele que vão pedindo ao longo do ano quando passam nas prateleiras cheias, e nós dizemos "não, já tens muitos". 
E compramos. Afinal tem 50% de desconto em cartão... E já agora outro, fica para o aniversário, é um bocado caro, mas tem 50% ... E é assim que acabamos por gastar demasiado em brinquedos, naqueles que não compraríamos por serem demasiado caros. É um engodo. Gastamos sempre mais que todos os plafonds imaginados, mas convencemos-nos que estamos a poupar. 

Olhamos em volta e a loja está cheia, as pessoas esgotam prateleiras, e quando algum brinquedo da moda parece estar a acabar, parecem marabuntas a cobiça-los, a colocá-los no carrinho de compras sem saberem bem ainda se o querem levar. Assisto ao verniz que estala, à falta de educação e de civismo que parece atacar as pessoas que empurram e atropelam quem se atravessa no seu caminho, como se tivessem fome e aquele fosse o ultimo pão da prateleira, (nem quero imaginar como se comportariam se fosse!). 
Fala-se de crise. E ela existe. Mais do que se fala, mais do que se imagina. Mas não é só financeira. 
A crise de valores que se vem revelando, e que não se consegue camuflar com quaisquer bens materiais, vem ao de cima. 
E essa, a somar à outra, transforma a minha crescente preocupação em medo.





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