21 de novembro de 2014

Mais que mãe

Nunca fui pessoa de achar que a maternidade era tudo na vida de uma mulher.
Desejei-a muito, durante algum tempo. De tal forma que se poderia ter tornado (tornou?) uma obsessão. Desejei-a ainda mais quando quase me convenci que seria impossível.
Ainda assim via alternativas, via-me incompleta, mas via-me.
Quando o milagre se deu, fiquei a flutuar durante meses entre a incredulidade e o receio de acordar de um sonho. Talvez como consequência de tudo isso, quase me anulei durante os primeiros anos do meu filho, queria aproveitar ao máximo o estado de euforia que a maternidade me trouxe.

Hoje, sei que aproveitei muito bem cada fase, mas que me perdi um pouco no processo.
E claro que não vale a pena sequer pensar em lamentações, fiz o que queria e sabia, durante esse período.
Mais de quatro anos volvidos, e tendo finalmente assumido a necessidade de ser mais, ainda me custa organizar de outra forma. 
Talvez porque a semana corre sem se dar por ela, entre trabalho, banhos, refeições e outras tarefas, o tempo livre é cada vez mais escasso. Chega o fim-de-semana e acabo a planeá-lo em função dos momentos de lazer com o meu filho. As idas ao parque, ás festas de aniversário dos seus amigos ou a um qualquer sitio recomendado para crianças.

Não me estou a queixar, gosto disto. Adoro vê-lo feliz, e também eu me divirto. 
Mas dou por mim várias vezes a pensar no quanto preciso de conversas (só) de adultos. Daquelas que não são interrompidas por crianças de 5 em 5 minutos. Em sítios não necessariamente kid friendly.
A ansiar por um jantar sem interrupções, uma ida ao teatro sem hora para voltar.
E na loucura, uma saída à noite para um copo de vinho e boa musica, ou dançar até de madrugada.

Acabo de escrever isto, e já me estou a ver criticada verbalmente, ou em pensamento por umas quantas pessoas. Estão no seu direito. A cada um as suas opiniões. desejo que sejam todos muito felizes nas suas escolhas.
Mas eu sou muito mais que só mãe, já o era antes, a maternidade acrescentou-me (muito), não me define, nem me substituiu. 
E cabe-me a mim fazer o possível para conseguir conjugar este papel que a maternidade me trouxe (e que adoro), com todos os outros que me compõem como individuo, que são vários e que tenho negligenciado.
Cada um sabe de si e das suas necessidades. Eu de mim sei que preciso de mais, que sou mais. Aceitá-lo foi o primeiro passo, agora urge equilibrar tudo, para conseguir a plenitude que todos merecemos. Não é simples nem fácil, mas é necessário.
A inercia paga-se cara.  




Sem comentários: