10 de dezembro de 2014

Jantar de Miúdas

Já tinha saudades de nos ver juntas. De estar, estar mesmo. A ultima vez foi há tanto tempo que já nem me lembro.
Se não estivermos atentos, esta vida que escolhemos ou que nos escolhe, vai-nos afastando de nós e das pessoas que gostamos, sem darmos por isso. Porque não estão por perto, porque ás vezes não é fácil manter a ligação, ou porque nem sempre é possível.

Todos os nossos amigos são especiais para nós. São, como se diz por aí, a família que escolhemos. Os que permanecem, são aqueles de quem tivemos o privilégio da reciprocidade. 
Neste caso em particular são quatro amigas. Conheci-as nos primeiros anos da Faculdade, e não foi  "amizade à primeira vista"... Foi crescendo, criando raízes. Num dos casos, até começou bastante mal, mas a vida é mesmo assim, as circunstâncias podem mudar-nos a perspectiva, e nem sempre a primeira impressão é a mais certa. E ainda bem.
Estas miúdas (na minha cabeça ainda nos vejo assim), são agora mulheres, mães, companheiras, amigas.
De todas e da cada uma, admiro características, que para mim as tornam únicas e complementares, nesta combinação improvável.
A lealdade e frontalidade da S. O elo de ligação e a ponte afectiva entre as cinco. A pessoa que sempre me mostrou caminhos quando só via paredes e precipícios.  
A naturalidade e doçura da L. Sempre discreta e serena, sempre do bem. A apaziguadora.
O pragmatismo e objectividade da J. Não sei bem como, nem porquê, mas a sua perspicácia desconcerta-me sempre.  
A descontracção e bravura da H. a resiliência em pessoa.  

Finalmente juntas, e mais uma vez à volta da mesa. Foi um jantar que ansiava, mas que não cumpriu com a (minha) expectativa, apesar do castiço da tasca italiana e da simpatia de todos os empregados.
O tempo foi curto. A localização complicada. E nós sem a energia certa.
Cinco miúdas a celebrar a vida e a amizade, entre conversas que se queriam leves, mas que carregavam preocupações caladas, adivinhadas pelos ombros caídos, e olhar por vezes distante.
Mas valeu a pena. Vale sempre. Aproveitámos o (pouco) tempo.
Entre pratos... uma excelente noticia, (tão, mas tão boa!) a melhor.
Momento de celebração contido, adiado, eu entendo porquê… já me senti assim.  
Fica a promessa de repetir, desta vez sem correrias, sem hora marcada, sem stress de estacionar, sem ruído de fundo.
Na próxima vez, se preocupações houver, falemos delas sem auto-censura. Ou não, se for essa a nossa vontade.
Que entre amigas todos os desabafos são permitidos, tal como os silêncios, pois tudo tem o seu tempo.
  

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