29 de janeiro de 2015

Cinco anos de ti

Cinco anos passaram e eu continuo a aprender a ser a tua mãe, uma mãe que se molda à medida das tuas necessidades. 
Cinco anos para entender que não há livros que se escrevam ou se leiam que tenham a fórmula mágica. Que não há mães perfeitas. Foi preciso tempo para finalmente aceitar que existem tantas opiniões como pessoas (pais, avós, tios, colegas …), e nenhuma delas sabe o que é melhor para nós, por mais que achem que sim.
Nenhuma dessas pessoas, que oferece "verdades universais" conhece a tua essência. Nenhuma conhece como eu, as nuances do teu sorriso, as particularidades das birras, os rituais diários que inventas para te sentires mais seguro. 
Nenhuma te acompanhou nas tuas otites, bronquiolites, amigdalites e todas as “ites” que a infância oferece. Nenhuma estava ali quando escondi o maior medo do mundo porque a tua febre não baixou, ou acordou de noite para confirmar se respiravas, ou teve vontade de bater nos médicos quando te espetavam agulhas para te tirar sangue… 
Não sofrem quando tu sofres, não se entristecem quando tu estás triste, não explodem de alegria quando estás alegre. 

Eu sou mais porque te tenho. Que a maternidade não nos completa, acrescenta-nos.
Obrigado. Trouxeste-me um instinto que não se explica, e o nosso amor, que vale o mundo. O nosso.
Pois tu és o meu amor maior, a minha primeira e ultima razão, o meu lado mais doce, a melhor parte de mim. 
Este amor que me regenera, sinto-o correr nas veias, sempre que te olho de soslaio para gravar em mim o teu jeito. 
Este amor que me engrandece, e que não sabia ser possível, trouxe-me a coragem e o medo em doses iguais.

Arrelias-me quase todos os dias, nesta tua idade provocadora que testa todos os limites, e mesmo no meu limite de paciência (elástico todos os dias) sei que gosto de ti assim, alegre, meigo, desafiador, teimoso. 
Amo a ternura com que me dás um beijo para me distraíres, quando te estou a queres “educar”, com um sermão sobre bom comportamento. Ou quando me pedes um abraço ao perceberes que não vais ganhar a discussão, mas queres ganhar tempo. 
Ou mesmo quando me dizes “senão ... não vou ser amigo do meu pai durante tantos dias…”
Derreto-me na doçura dos teus beijinhos de pestanas ou quando me roubas do pescoço beijos gordos, que esses é que são mesmo bons de roubar. Fico sem ar com os teus abraços apertados, a sentir o teu coração que bate um compasso acima do meu. 
Ainda me surpreendo quando me pedes cocegas na barriga, para te contorceres a rir até ficares sem fôlego, pois quando eu tinha a tua idade, fugia das cocegas. 
Deslumbras-me todos os dias com os teus raciocínios, descobertas e pontos de vista.
Descubro o mundo pela segunda vez, sempre que o observo ao teu lado. 
Emociono-me com o milagre que tu és na minha vida, e com a descoberta que afinal o amor nunca se divide, multiplica-se, e cabe sempre mais num coração de mãe




  Parabéns filhote! 

2 comentários:

Cláudia M disse...

Tão lindo este texto, adorei. São uns reguilas, mas são também a melhor ''coisa'' do mundo.

Parabéns ao pequenote ;)

* E a foto está tão linda. :)

Beijinhos*

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Muito obrigado. São mesmo o nosso melhor.
Bjs