14 de fevereiro de 2015

As 50 sombras de Grey

Parece que anda meio mundo agitado com a estreia das 50 sombras de Grey.
Não li porque não me prendeu. Também passei pela fase da curiosidade, mas não passou no teste das páginas aleatórias. 
Passo a explicar, quando tenho dúvidas acerca de um livro, vou a uma livraria e abro-o em dois ou três sítios ao acaso, leio um ou dois parágrafos dessas páginas. Se despertar algo em mim compro, senão deixo ficar. E neste caso deixei. Mas já ouvi de tudo, que é mesmo bom, que é uma porcaria, que prende, que não tem interesse nenhum, que se lê bem, que é uma chatice.
Pareceu-me as Júlias ou Sabrinas das minhas tias, que eu lia ás escondidas na casa dos meus avós há mais de 20 anos, com um bocadinho mais de picante. 
Seja bom ou mau, trouxe a sexualidade ás conversas de café, tornando mais natural a troca de opiniões sobre o tema. Discute-se abertamente o conteúdo, com uma naturalidade que é muito positiva. E se no inicio, quando apareceu nas livrarias, as pessoas o liam discretamente, hoje parece-me que ninguém o esconde, e ainda bem.
Eu li alguns (bons) livros com o seu quê de picante, que não geraram tanto alvoroço. Mas parece que o alvoroço não se explica.

Na nossa cultura ou sociedade, ainda se propaga a imagem da mulher romântica, que o é, mas não é só. 
Tal como o homem também tem fantasias, que na maioria das vezes não confessa por falta de intimidade com o parceiro, ou falta de confiança no papel que deve assumir. E o género masculino, nem sempre facilita. Segundo alguns psicólogos a maioria dos homens chega ao casamento (ou relação), e assume não o papel de amante, mas de filho, e isso mina completamente a relação sexual do casal. Com o tempo a monotonia instala-se e fantasias… só na cabeça de cada um.
Não quero dizer com isto que a solução é andar a copiar cenas de livros ou filmes, que para além de não passarem de ficção, são a ficção de outrem. Mas é importante falar mais abertamente do que nos seduz, do que nos excita e do que nos dá prazer. Sem preconceitos.
Acredito que tal como aceitar que cada qual tem as suas fantasias (e ás vezes não passam disso), também respeitar os limites de cada um é fundamental. Porque é tão mau impingir uma prática qualquer como aceita-la contra as convicções pessoais.

E tudo isto até pode ser só a "teoria da batata", mas parece-me que na cama tal como na vida tudo se deve fazer com gosto, e se "por acaso" a cama está sempre ocupada com os filhos porque o marido (ou mulher) já não tem interesse nenhum, algo está muito mal, e se calhar vale a pena mudar qualquer coisa.



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