27 de fevereiro de 2015

Correr está na moda

Para todo o lado onde me viro, ouço falar das maravilhas da corrida. 
Para quem nunca foi fã (eu!), parece uma conspiração. Senão vejamos: 
É o desporto mais praticado pelas pessoas que me rodeiam, e não só.
Onde trabalho, todos os dias vejo dezenas de colegas correr à hora de almoço. E dizem-me que gostam. 
As minhas amigas, algumas que tal como eu, gritavam aos sete ventos que odiavam correr, correm agora como se tivessem descoberto a fonte da felicidade. 
À segunda feira o tema dominante, é cada vez mais sobre as provas que se fizeram no fim de semana. As classificações, como foi dura/espectacular/gira/fácil/bem (ou mal) organizada... 
Os modelitos que se discutem à minha volta, já não são só os da Zara ou da Lanidor, são os ténis XPTO, os apetrechos que se penduram ás costas (cujos nomes desconheço), o equipamento (calções e camisolas) mais eficiente, as cores mais in... 

Apreciando toda esta animação, comecei a pensar se não estaria a ser radical. Se este "ódio de estimação" à corrida ainda faria sentido, uma vez que grande parte dele advém dos traumas de liceu, quando nos obrigavam a correr na rua, na aula de educação física. Da lembrança do frio, da dor de burro, do frete que era. Sim que aquilo não era para meninos. Correr no inverno, com o piso gelado da geada, ás 8.30 da manhã em Trás-os-Montes, (por vezes com temperaturas negativas), traumatiza qualquer um...
Andei, pois ... durante uns tempos curiosa... a questionar-me... Experimento?

Percebo a alegria da superação pessoal. 
Compreendo a motivação do desporto, que pode ser o meio para uma vida mais saudável, a manutenção de uma silhueta mais apetecível ou um momento de convívio e diversão. Eu pratico-o com alguma regularidade e gosto. 
Mas correr?!!
O que será que tanta gente descobriu na corrida? Será pela simplicidade? Uns ténis, uma roupa velha, e até o bairro serve para treinar meia hora por dia... 
Ou haverá algo mais? Algo que eu ainda não consegui experienciar, por casmurrice*...
Afinal o que andarei eu a perder?
Dei por mim a pensar, se ir ao ginásio não será dinheiro deitado à rua, uma vez que (dizem por aí), posso obter ao mesma satisfação (ou mais) numa corrida na Marginal…

Todas estas considerações têm passado pela minha cabeça ultimamente. E tenho-me sentido tentada.

Até ontem.
Até ser obrigada a fazer uma prova de esforço. 
Até ser obrigada a correr numa passadeira. 
Em poucos minutos passou-me a vontade de experimentar. Em poucos minutos roguei pragas silenciosas a quem me mandou fazer o exame, a mim, por achar que poderia gostar de correr, e à pessoa que nunca mais desligava aquela máquina diabólica!




*(Sim, Amiga a culpa de eu começar a pensar em corrida também é tua, que ao compará-la a sexo ficou logo mais apetecível!)

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