23 de fevereiro de 2015

Embaraço ou desembaraço?

Todos os dias são dias de sermos surpreendidos, por nós e pelos outros. 
Mas é nas surpresas que encontramos caminhos novos. E o que poderia ter sido uma dificuldade, revelou-se afinal uma aventura. 



O plano para este sábado era tratar do cabelo na hora de almoço. 
Pode ser um programa entusiasmante para algumas mulheres, mas a mim só me causa ansiedade. O rebuliço, o calor, os puxões, a espera, o tempo perdido. Saio sempre do cabeleireiro enervada e aliviada por ter acabado. 
Sim, também me sinto linda, mas não compensa. 
Por ser algo que não me agrada fazer, à primeira desculpa, desviei-me do plano inicial.
Como consequência, dei por mim sozinha, no centro de Lisboa, depois de almoço, ainda com o cabelo por tratar. 
Num impulso decidi ir de Metro. Lembrei-me que já tinha visto uma estação de Metro perto do salão. 
Não havia de ser assim tão complicado chegar lá rapidamente!
Desci as escadas e ... acabei por me perder nos túneis do Metro em Lisboa.

Bem... Perder é um bocado forte, mas andei desorientada por um bocado, na medida em que confiei em estranhos para me desenrascar, aprendi a carregar um cartão para poder usar o Metro, apanhei a linha errada, tive que voltar para trás e não sabia o nome da estação do destino que pretendia. 


Qual é a explicação para tamanha aselhice? 
Moro e trabalho "no campo" e quase só me desloco de carro, há mais de dez anos.

Quando andava na faculdade, o Metro era o meu meio de transporte de eleição em Lisboa. Existia a linha Amarela e a linha Azul, que conhecia de cor, e os bilhetes compravam-se em módulos de dez. Muito mudou desde então. Este sábado, o Metro pareceu-me um emaranhado de linhas que já não reconheço, com sistema de cartões recarregáveis que não domino, sem funcionários nas estações para ajudar quem não conhece o sistema. 

Por momentos fiquei parada no meio da estação, só a observar. 
As pessoas caminhavam apressadas, confiantes na direcção que seguiam. E eu sentia-me num daqueles sonhos em que não reconhecemos o local, mas sabemos que temos que seguir numa direcção, seja ela qual for, que "parar atrai o Azar".  
Só que não era um sonho.

Ora eu, sou uma mulher do Norte, e capacidade de reacção em momentos deste género, sempre foi coisa que tive de sobra. Telefonei para descobrir o nome da estação que pretendia, perguntei à primeira pessoa que me pareceu simpática, como se carregava o cartão com dinheiro porque iria usa-lo mais vezes, e lá fui eu.
Enganei-me, voltei ao ponto de partida, perguntei onde estava a linha que procurava, pois tudo indicava que era ali, mas eu não a via em sitio nenhum... Afinal, estava por baixo da que tinha seguido erradamente!
Corrigi a rota, e cheguei ao destino sem mais percalços. 

Um pouco como na vida, seguimos o instinto, cometemos erros, pedimos ajuda, recuperamos, e aprendemos mais alguma coisa.
Acabou por ser uma experiência positiva, que me recordou que o Metro é um facilitador. É rápido, e depois de o percebermos, fácil. Além disso, agora, passa em quase todos os meus sítios favoritos de Lisboa (algo a explorar no futuro).  

Foi tão bom recordar esta liberdade de movimentos, que quando saí do cabeleireiro, não voltei para casa. Regressei ao coração de Lisboa, para passear nalguns dos meus sítios preferidos, aproveitando o fim de dia, que apesar de frio, estava solarengo e agradável.







Vagueei sozinha pelo Chiado. Ouvi artistas de rua sem pressa. Entrei e saí de lojas só porque sim. 
Fotografei o que me apeteceu (a minha pequenina G12 andava comigo na mala). Senti o vento na cara, inspirei os perfumes da cidade, descobri novos recantos.
Vi o por-do-sol à beira do Tejo, ao som de boa música, entre bandos de turistas, casais de namorados e muitas "selfies". 
A musica (como num filme), tornou o por-do-sol quase perfeito, e levou-me para longe no tempo e no espaço...  
A "banda sonora" era composta por temas do Mark Knopfler, maravilhosamente executados por um virtuoso desconhecido, mesmo ali ao meu lado. Teria ficado até anoitecer, mas não estava preparada para o frio que se começava a sentir.










Decidi voltar para casa de comboio e caminhei ao longo do rio até à estação do cais do Sodré. Quase a chegar, deparei-me com uma sessão fotográfica a decorrer
A modelo era Ana Rita Clara, uma mulher muito bonita que admiro pela sua simpatia, mas principalmente pela inteligência e sensibilidade que alguns dos seus textos revelam.
Não resisti a tirar algumas fotos, uma vez que vinha de máquina fotográfica na mão. Ela não se sentiu minimamente incomodada com a minha ousadia, confirmando-me a sua gentilezaE eu fiquei por ali, até ao fim da sessão, esquecida do frio. Parada ao lado de um policia, a vê-la ser a excelente profissional que é, e a observar o trabalho do fotógrafo. 








As minhas fotos não ficaram espectaculares (nem perto disso), mas recordam-me o excelente dia que acabou por se tornar.



*Nota para o futuro: Os impulsos são para seguir mais vezes.

3 comentários:

Cláudia M disse...

Bem, que aventura ;)

Eu também adoro andar por Lisboa de câmara na mão, é uma cidade linda e gosto muito de a fotografar. As fotografias estão muito giras, gosto especialmente das imagens ao anoitecer.

*
Obrigada pelos comentários tão queridos no meu blogue ( respondi lá ) :).

Beijinhos*



Escrever Fotografar Sonhar disse...

É uma cidade de sonho, que por vezes nos passa ao lado por ser nossa.

Cláudia M disse...

É verdade.