12 de fevereiro de 2015

Fevereiro o mês caracol

Tempus fugit... Foge, voa ou escorre por entre os dedos como areia na praia. Irreversivelmente.
Os meses, esses marcadores inventados para nos dar consciência dessa linha continua, vejo-os desfilar como se fossem folhas de calendário a cair diante dos olhos, sem os conseguir agarrar o tempo necessário para que se cumpram todas as expectativas que tenho para eles. Entre obrigações e rotinas, pouco sobra para os tornar memoráveis.
Mas neste filme acelerado em que geralmente se transforma a nossa vida, o mês de Fevereiro fica suspenso em mim. A percepção muda, e é como se nestas 4 semanas me movesse lentamente entre cenas “arrastadas” do Matrix.

Apesar de menor, Fevereiro é o mês que mais me rende. Sinto-o como se fosse uma antecâmara temporal, onde vivo um compasso de espera para o resto do ano.
É o depois de … e o antes de…  É uma espécie de peça curta dum jogo de 12, entalado entre o Inverno e a Primavera.
É o mês da verdade incómoda, num reflexo que me devolve as minhas promessas de ano novo. E com isso me oferece uma segunda oportunidade de as agarrar com unhas e dentes para as pôr em prática, como quem veste a camisola e a torna sua. 
Ou então não. Que também é permitido admitir que tivemos mais olhos que barriga, que afinal não nos servem ou que ainda nos falta a coragem.
É um mês despido, frio e cru. Interior. Que me confronta com a minha real vontade de mudar alguma coisa.
É o mês das desculpas, das faltas no ginásio, das gripes, das depressões, da saudade, do exercício da mea culpa... 
Mês do verbo procrastinar, pois que o bom tempo está quase a chegar, e aí sim… é que tudo volta a ser possível.
É o mês do Amor e desamor. Das rosas sem cheiro. Da sublimação de sentimentos, felicidade ou tristeza, conforme o caso.
É o regresso a mais um Valentim, mais uma prenda mal escolhida, mais romantismo de pacotilha, que o Amor acontece naturalmente, não precisa de um dia marcado no calendário.
É o mês do Carnaval, dos caretos, da pantomina.
Não adoro Fevereiro*. 

* Excepto o dia 16, um dia feliz, o dia de uma pessoa que adoro.




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