4 de fevereiro de 2015

Impulso

Há momentos em mim em que só me apetece ceder ao impulso, não pensar nas consequências e ver o que acontece.
Respirar fundo, ganhar balanço, correr o mais rapidamente possível, e saltar para o desconhecido para confirmar (ou não) que se sobrevive ao salto.
Nesses breves momentos quase acredito que tudo à nossa volta é intrinsecamente bom. Que não há mal entendidos, inveja ou maldade. Que o universo é a minha rede.

A energia sobe, o batimento cardíaco acelera, as palmas das mãos transpiram, todo o potencial se transforma em cinética. Na minha imaginação tudo se desenrola com a precisão de um relógio suíço ou a fluidez de um argumento perfeito.
Só que, no momento de salto, quando quase já não é possível… travo a fundo… e fico a olhar para o precipício, com toda a dor que a contenção de tamanha energia provoca. Devagar, a pulsação abranda, as mãos arrefecem, a decepção instala-se e emfrento a frustração de mais uma oportunidade perdida para sempre.

E é isto. Seja qual for o percurso, volto à casa da partida e à constatação que a minha maior limitação sou eu, nesta dificuldade de arriscar sem medo. 



2 comentários:

Joana disse...

A nossa maior limitação somos mesmo nós, já não tenho qualquer dúvida nisso. A grande aprendizagem de todos os dias é arricarmo-nos a ser e a fazer o que faz de nós quem somos!

Força nesse salto!♥

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Obrigado pelo incentivo, os meus saltos ainda são muito pequeninos, mas lá chegará o dia...