7 de março de 2015

(In)certo

Ás vezes tomamos consciência que a vida é curta de mais para a desperdiçarmos com ninharias.
Percebemos que adiamos demasiado. Na nossa cabeça é mais natural vermos um tempo futuro que damos como certo. 
Imaginamos uma linha temporal infinita, onde há tempo de sobra para tudo. Para marcar aquele jantar com os amigos de quem já temos saudades, fazer aquela visita prometida há séculos, lanchar naquele sítio que promete, cuidar mais de nós, tomar aquela decisão, viajar finalmente para o destino que queremos conhecer há tanto tempo... 
Há tempo para tudo. O será que não? 

Quando olho para o meu filho, vejo-lhe nos olhos uma ânsia de querer tudo para hoje. Brincar, ver os desenhos animados, comer o chocolate, ir a casa dos amigos. Tudo hoje. Para ele o  amanhã, é sempre incerto, e é-me difícil convence-lo que não pode fazer tudo agora, que amanhã é outro dia.
Mas quem estará mais certo, ele, que quer aproveitar cada minuto do dia para fazer as coisas que mais gosta, ou nós, que adiamos tanto do que nos dá prazer, simplesmente porque vemos no futuro uma certeza de concretização?
Claro que nós percebemos que não se pode fazer tudo no mesmo dia, que há prioridades, e decidimos a nossa vida em função dessas prioridades. Mas onde está aquela ânsia de querer. Aquela necessidade infantil de nos divertirmos em primeiro lugar?
Porque perdemos nós essa urgência de ir ou fazer, para chegar ao que nos faz mais felizes?



2 comentários:

Cláudia M disse...

Identifico-me tanto com este texto...
Penso que ele é que está certo. Vamos por vezes adiando, adiando demais... As crianças aproveitam o agora, vivem o agora e são felizes com tão pouco...

A última pergunta do texto, é mesmo uma grande questão... porque perdemos nós essa urgência, nunca a deveriamos perder não é...

Beijinhos*

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Acho que nisto de querer ser "adulto", e de nos levarmos demasiado a sério, resulta na perda de muito do que realmente importa.
bjs