30 de março de 2015

Minas de São Domingos

Este Sábado foi dia de mais uma caminhada. 
Desta vez num trilho ao lado das antigas minas de São Domingos, em pleno coração alentejano.
A saída de Lisboa ás 6.30 da manhã obrigou-me a acordar ás 5h, uma hora bastante impropria para quem gosta de dormir até tarde ao fim de semana. Mas sair de casa tão cedo anuncia sempre um dia cheio de aventuras que começa com o nascer do Sol.
Gosto disto. Já o disse, várias vezes. Estas caminhadas levam-me a sítios que de outra forma nunca me lembraria de visitar. Sítios que vale a pena conhecer, com calma, neste ritmo de caminheiro.

Apesar de ser uma actividade de grupo, permite-me ficar a sós com os meus pensamentos, a minha máquina fotográfica, e maravilhar-me com as paisagens avassaladoras que o nosso país tem para nos oferecer.
Os meus amigos fartam-se de brincar comigo e dizem que isto das caminhadas é para velhinhas, que eu devia era ir com eles correr, ou então fazer provas de trail, que isso sim é que é de gente rija.
Eu encolho os ombros e sorrio, porque compreendo a onda deles, talvez experimente um dia, mas a calma que uma caminhada nos dá, não se compara ás provas. São "campeonatos" com objectivos completamente diferentes.

Desta vez a paisagem surpreendeu pela aridez. Pela intensidade das cores da terra e da agua, pela desolação envolvente, num espaço outrora fervilhante de acção, actualmente completamente abandonado.
O dia fresco em Lisboa, estava quente no Alentejo. Ainda a manhã não ia longa e o caminho com poucas sombras, já reflectia do chão o calor do sol, obrigando-nos a beber mais água. Os pés iam levantando o pó vermelho e seco à medida que caminhávamos, colando-se à pele transpirada, e nem uma aragem corria para refrescar. Não quero imaginar o inferno que seria trabalhar ali, no Verão abrasador.

O grupo bastante heterogéneo caminhava a ritmos diferentes, inicialmente compacto, acabou por se dispersar, criando uma longa linha de pequenos grupos.
Eu, como sempre, fiz o caminho em passo acelerado para compensar todas as paragens feitas para fotografar.
O trilho quase sempre plano, segue ao longo da antiga via-férrea e culmina na aldeia ribeirinha do Pomarão, onde se localizava o antigo porto fluvial de escoamento do minério. Foi aí que terminámos mesmo antes do almoço, para conhecer o festival do peixe do rio, que estava a decorrer nesse dia. Aproveitámos para comprar as iguarias da praxe, no meu caso foram as tradicionais popias

Depois do almoço fomos conhecer Mértola.
O castelo construído num cerro escarpado mesmo à beira do Guadiana, oferece-nos uma vista que nos transporta para longe entre o passado e o presente. Local da primeira sede portuguesa da ordem de Santiago, construído sobre vestígios romanos e islâmicos é ainda uma fortaleza imponente.
Mertóla está repleta de história que vale a plena descobrir, nos seus museus, centros de estudos, e escavações arqueológicas. Conseguimos perfeitamente imaginar naquela encosta mouras encantadas a seduzir os primeiros soldados que por lá assentaram arraiais. Mais que imaginar as cores, os cheiros, as especiarias e a musica árabe, soube que é possível reviver tudo isto entre as muralhas, todos os anos no festival islâmico. Ficará para uma próxima visita...

Já quase ao escurecer, regressámos, cansados mas de alma cheia. 
Na viagem, emoldurado pela paisagem alentejana, pudemos assistir a um dos mais belos por-do-sol de que tenho memória, uma mescla de pinceladas vermelhas, laranja e amarelas materializaram-se intensamente, entre os fiapos de nuvens, num céu de um azul cada vez mais escuro, à medida que o sol desaparecia no horizonte. Recordando-nos mais uma vez, os impressionantes lagos de águas paradas da mina, cheios de resíduos de minério, rodeados pela terra cor de ferrugem. 
Inesquecível.




















Pomarão







Mértola











3 comentários:

Cláudia M disse...

Que lindo, que fotografias tão bonitas. Eu também gosto de caminhar e de fotografar, por onde passo, a natureza... essa calma, faz-me muito bem.

Parece-me que está aqui a desculpa perfeita, para fugir das corridas (ou não), porque ultimamente anda tudo a correr, todos por uma vida mais saudável. Mas correr e fotografar não dá eheheheh

Agora, a sério, com tanto estimulo e com tanta gente a dizer maravilhas, não está fácil resistir a experimentar também :P

* Isso e comida mais saudável, batidos detox, bagas xpto e todas essas coisas que vimos por aí. Qualquer dia, experimento também :)

Cláudia M disse...

* Respondi ao teu comentário, no meu blogue e mais uma vez, muito obrigada pelas palavras.

Cláudia M disse...

* vemos