23 de março de 2015

O não

Amamos os nossos filhos incondicionalmente. Sem filtro, sem barreiras, sem esperar nada em troca.
Ao ponto de prescindir de nós por eles, e isso é só natural. Está gravado no nosso ADN.
Não contesto o amor, nunca o faria. Mas... e quando este amor tolda o nosso bom senso?
Quando por ele, nos é impossível dar um não, naquele momento em que o sim que os faz felizes, só lhes é prejudicial?
O que fazer quando o amor nos cega, e nos impede de ver o óbvio?
Já presenciámos de certeza isto nos outros, no vizinho, no familiar, no amigo, e tivemos por vezes vontade de comentar ou interferir. Porque quem está à distância, tem a ilusão que é simples de resolver. 
Mas quando se trata do nosso filho... as dificuldades agigantam-se. O coração fala mais alto e a razão fica surda.
Amar deve ser fácil. E é. Mas amar e educar não são a mesma coisa, apesar de serem faces da mesma moeda.
Amar um filho não é dizer-lhe a tudo que sim, é muito mais que isso, e o não, faz parte.
E regra geral a coisa flui, mas no meio de uns quantos nãos que lhe vamos dizendo, aparece um ou outro, que nos dói, que o deixa em lágrimas, que nos dilacera por dentro, que eles não entendem de maneira nenhuma, mas que é a maior prova de amor que lhe podemos dar. 
Porque como diz o meu amigo R. "mais vale um filho a chorar hoje, que um pai amanhã..."
Os pais assumem muitos papeis na vida de um filho, mas o principal, o que nunca se deve pôr de lado, é esse, o de pai ou mãe. Com muito amor.

E eu só espero lembrar-me disto, da próxima vez que estiver tentada no sim, quando é o não que lhe faz falta.


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