19 de março de 2015

Pai

Acho que nunca dei o devido valor ao meu pai. E ele nunca o exigiu. 
De tudo o que fez por nós, nunca, nem uma vez lhe reclamou crédito. E fez muito, porque a vida dele não foi nada fácil.
Fui durante muitos anos a menina do papá. Segundo a minha mãe, ainda sou.
Talvez por ter sido a primeira filha, talvez por ser a única rapariga de quatro irmãos. 

Com o meu pai plantei a minha primeira árvore. Uma cerejeira ao lado da casa que sempre deu cerejas maravilhosas. 
Com o meu pai apanhei cogumelos, e com ele aprendi tudo o que sei sobre eles.
Com o meu pai aprendi a assobiar, e a cantar as primeiras musicas pós 25 de Abril. 
É do meu pai que  me vem esta vontade de escrever, que me faz tão feliz. 
Foi o meu aliado, mesmo nas alturas em que discordávamos, e nas decisões maiores confiou sempre no meu bom senso.
Com ele aprendi o valor da liberdade com responsabilidade, valor que nos ensinou a respeitar, e que quero passar ao meu filho.
Acho que nunca dei o devido valor ao meu pai. 
E ele tem tanto.




3 comentários:

Cláudia M disse...

Que texto tão lindo, que bonita essa relação. Fico muito contente por si ( nunca sei se trato, por tu ou por você ;), por ter crescido com um pai assim.

Não consigo dizer muito mais, sobre este dia, mas partilho este post meu :

http://lifeloveandphotograph.blogspot.pt/2014/07/queria-ser-tua-menina.html

* A fotografia é lindíssima ! As cores, a suavidade, sublime !

Beijinho

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Cláudia, eu trato por tu, podes fazer o mesmo. Acho que o "tu" é mais descontraído.

Cláudia M disse...

ok, combinado ;) É mais descontraído realmente.