4 de março de 2015

Parabéns caçula

Olho para ti, e ainda vejo em ti uma criança.  
Falo contigo e fico surpreendida com as tuas conversas de adulto. Com a tua vida de adulto.
Olho-te mas não te vejo. Vejo um menino doce que não me largava, sempre que eu voltava de férias da faculdade. 
Que me seguia como uma sombra. Que me contava todas as novidades, tudo o que eu tinha perdido. 
Vejo um menino tímido que todos nós "estragámos" com mimos.
Apresentas-me a tua namorada, e pergunto-me quando é que cresceste tanto. Como é que perdi tanto de ti.   
Sabes que te mudei as fraldas muitas vezes? 
Sabes que inventei varias vezes que tinha de estudar, para fugir à responsabilidade de tomar conta de ti quando eras bebé? 
Só quando nasceu o teu sobrinho é que percebi o tanto que aprendi contigo.
És o meu irmão caçula, o que quase não vi crescer, o que chegou ao ninho quando eu já estava de saída.
E é por isso que para mim não cresceste. 
Porque te deixei uma criança, e sempre que te reencontro, é essa criança que primeiro encontro em ti.
Ainda faço contas de cabeça. Quando tu nasceste eu tinha 15 anos... por isso agora fazes … Tantos!

Parabéns F. 

3 comentários:

Cláudia M disse...

Que lindo texto ;) Comigo acontece-me o mesmo com o meu irmão mais novo (7 anos). O tempo passa e passa muito rápido mesmo...

Beijinhos*

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Deixei de fora a parte em que dou por mim a dar-lhe "aquele sermão de adulto", ele a revirar os olhos, e eu a perceber o ridículo da situação...
Sim, que entre irmãos não são só fofinhosquices...

Cláudia M disse...

Ehehehe ;) é normal. E no vosso caso a diferença ainda é maior, 15 anos. Mas seja 7, seja 15, para nós são sempre os mais novos, sempre crianças ainda. Para eles é que não é bem assim (e na realidade não são mesmo).

POis não, entre irmãos, não são só coisas fofas não, os irmãos também ralham, zangam-se... Faz parte :p