1 de abril de 2015

Desafios

A propósito de um comentário recente que fiz sobre desafios e tenacidade, que teve uma resposta que não consegui esquecer, dei por mim a questionar-me acerca da ultima vez que me desafiei à séria. A ultima vez que embarquei numa demanda sem grandes certezas de sucesso, e que depois de a ter tomado como minha, nunca mais a larguei nem ponderei sequer desistir, mesmo quando fraquejei ou me senti no limiar das forças.
E já foi há muito tempo. Há demasiado tempo. 

Sei que sou capaz de o fazer. De me propor a algo que parece uma subida interminável, e de seguir em frente sem me permitir desistir, no matter what. Sei que tenho dentro de mim essa teimosia, essa casmurrice que nem sempre me é benéfica, mas que me trouxe aqui, à pessoa que sou, vencendo muitos dos desafios a que me propus. 
Sei disso, e no entanto tenho vindo a baixar os braços e a aconchegar-me na morrinhice dos dias. E não tem nada de mal, o aconchego. Excepto quando já não nos chega. Quando se adormece inquieto e se acorda com a sensação que estamos atrasados para algo. Todos os dias.  

Mas então porque não escolho a minha próxima demanda e a abraço sem mais a largar?
Porque raio fico à espera? Porque continuo a "boiar" num mar de agua morna que não me aquece nem me arrefece?

Porque sei que mesmo quando ganhamos, sacrificamos sempre algo pelo caminho. E há coisas que não posso quero sacrificar.
Porque se no passado sofri sozinha as consequências das minhas decisões, hoje já não é assim. Já não sou só eu.
Porque seja qual for a "corrida" a que me proponha, devo estar certa da meta que quero alcançar. Desistir não é opção. 
Porque o passado ensinou-me que o orgulho e a teimosia ás vezes nos cegam. E cegos andamos em círculos.

Apesar de tantas razões válidas que me justificam, ao escutar a voz que me fala baixinho ao ouvido, ouço sempre o mesmo. Está na altura de me desafiar outra vez. De arriscar, de definir um objectivo e cumprir tarefas umas atrás das outras até chegar lá, ou perder-me pelo caminho a tentar. 
Sinto a falta da adrenalina que é sair da zona de conforto, e saltar para o desconhecido à procura de algo que queremos muito. Da confiança que se recupera quando ultrapassamos a vontade de desistir. Da indescritível felicidade ao vislumbrar o horizonte que se abre, no alto daquela montanha que parecia inatingível.



4 comentários:

Cláudia M disse...

Adorei o que escreveste (N)
(esta letrinha, está certa não está ? :)

Por vezes temos mesmo que nos desafiar e sair da nossa zona de conforto, mas não é nada fácil...

Eu neste momento, vou mesmo sair dela e de que maneira.

Mas compreendo perfeitamente o que escreveste, uma coisa, é quando somos só nós, outra, é quando temos quem dependa de nós. Mas eventualmente existirão desafios que não te prejudicam a ti e aos teus e que ao se cumprirem, te deixarão, mais realizada e feliz.

Dizem que nós somos capazes de muito mais do que pensamos... Não é verdade ? ;)

Ah e a foto está Linda !

Beijinho

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Não é nada fácil deixar o que conhecemos, mas de vez em quando é preciso. O giro é que até o meu filho me devolve a frase "tu consegues tudo mãe!" quando lhe digo que algo não pode ser. Porque é o que eu lhe digo a ele quando se arma em preguiçoso :)

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Sim, a letrinha está certa :))

Cláudia M disse...

Eles simplificam sempre tudo não é ? ;)

Na cabeçinha dele, se o consegues tudo, serve para ele, também serve para a mãe. E eu concordo com ele :)

*Que bom, é mais fácil escrever tendo a quem dirigir ;)

Beijinhos e uma Boa Páscoa :)