19 de abril de 2015

Entre Pedrogão Grande e Pedrogão Pequeno

Mais uma caminhada, mais uma aventura.
Desta vez, entre Pedrogão Grande e o Pedrogão Pequeno, paisagens de tirar o fôlego. Verde a perder de vista, a Primavera no auge, e em todo o seu esplendor.
O dia que se queria fresco mas solarengo, trouxe sem que ninguém o tivesse desejado, a chuva. Nada de dramático mas mesmo assim, incómodo, principalmente para quem não ia preparada com roupa própria (eu), e para quem queria fotografar.  
Começámos no santuário e também miradouro da Nossa Senhora dos Milagres. Foi aí, rodeados pelo sagrado, que fomos tentados pelo pecado da gula. Á nossa espera estava Manfred Märkl com os seus já famosos queijos de cabra, de fabrico artesanal. E ninguém resistiu a um pecado tão divino.
Depois de cumprido o primeiro ritual, subimos ao miradouro onde pudemos sentir a grandiosidade espiritual de um local de culto rodeado por um horizonte verde e azul que nos transporta para fora de nós.

Esta caminhada foi acima de tudo variada. No piso, no declive, e e na paisagem. Muitas subidas e descidas, entre pequenos troços planos. Percorremos montes e vales, pontes e túneis, terra batida, estrada, e a familiar calçada romana, que normalmente se encontra nestes  percursos pedestres mais antigos.
A visão do rio Zêzere, da Albufeira do Cabril e da ponte mais alta do pais (no IC8), acompanharam-nos em diversos pontos do percurso. E o contraste da grande obra de engenharia do século XX com a Ponte Filipina (que liga o Pedrogão grande e o Pedrogão Pequeno) construída em 1610 é verdadeiramente impressionante. A minha pequenina G12 não tem lente capaz de reproduzir o contraste mas mesmo assim tentei.
Decidi tomar a dianteira do grupo, para desta forma fotografar caras em vez de costas, e para não me distrair demasiado com a fotografia, e perder-me do caminho. É uma abordagem diferente, cansativa, mas mais recompensadora uma vez que se gere melhor o esforço e o tempo.

Como sempre, depois de alimentar o espírito, vem o alimento do corpo, o merecido almoço. E que almoço... Desta vez no restaurante Lago Verde, à beira rio junto à barragem de Cabril, com uma vista que só por si vale a viagem. Não vou descrever o menu, que foi muito bem confeccionado, mas tenho que falar de duas especialidades tradicionais da zona, que nunca tinha comido: Maranhos e Bucho. Quanto aos Maranhos, gostei mas não me deixam saudades, agora o bucho, ... acho que vou sonhar com esta iguaria durante muito tempo e procurá-la até a encontrar à venda. Tenho de repetir, porque era simplesmente divinal!
Sim, confesso que parte do encanto destas caminhadas é o almoço, principalmente se tiver pratos típicos. Porque na minha opinião é desta forma que se comunga com a gente da terra, partilhando a sua gastronomia. Além disso à mesa, a saborear uma boa refeição, regada com um bom vinho, trocamos experiências com as pessoas que nos acompanharam, e ficamos a conhecê-las um bocadinho melhor. E é muito enriquecedora esta troca de ideias. 

Depois do almoço já tardio, fomos ainda recebidos no centro de interpretação turística de Pedrogão Grande para aprender mais um pouco sobre as tradicionais Aldeias do Xisto. Agradou-me perceber que os trilhos bem sinalizados são já tantos, que não se esgotam num par de dias, nem em interesse nem em diversidade. Fiquei com a noção que muito ficou por ver. Vale muito a pena regressar.
De volta a casa passámos ainda pela Praia Fluvial do Mosteiro, e mesmo deserta, num fim de tarde primaveril, consegui imaginar aquele lugar cheio de crianças na mais pura diversão. É um sítio a ter em conta para uma daquelas escapadinhas com miúdos. Perfeita para famílias, longe do rebuliço dos grandes centros. Parece que uma piscina nasceu naturalmente na Ribeira de Pera, pois enquadra-se sem qualquer dissonância, entre as hortas que a rodeiam. 

Ficam algumas fotografias.






































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