26 de abril de 2015

Matar dragões



Hoje foi dia de matar dragões.
E digo dragões porque não contente com um, decidi enfrentar dois no mesmo dia.
Do primeiro falo depois, porque não morreu realmente mas fiquei a saber que é possível enfrentá-lo. O segundo foi correr. 
Como já o disse aqui, detesto correr, penso que pode ter a ver com traumas do tempo de liceu, em que era obrigada a enfrentar graus negativos para correr na rua ás 8.30h da manhã, durante a meia hora a que a professora de ginástica (uma ditadora) chamava "o aquecimento".

Nunca mais corri. Nem que estivesse atrasada para apanhar o autocarro me dava a esse trabalho.
Mas adoro caminhar. Em passada rápida, seja que tipo de piso for. Adoro sentir-me no meio da natureza, e nem a chuva me desmotiva. Acontece que à minha volta tenho vários amigos que praticam trail. E voltam das provas cheios de histórias para contar. Parece sempre uma verdadeira aventura. 
Fui ficando curiosa, mas sabia que não me podia inscrever numa prova sem primeiro experimentar perto de casa, com companhia experiente e sem riscos. 
Precisava de saber se era capaz, ou se ficava sozinha em desespero numa qualquer floresta (sim, sei que não é sempre na floresta, mas na minha imaginação é). 
Aceitei o convite da Marta que já sabia desta minha curiosidade, e lá fui eu para o Estádio Nacional participar num treino para principiantes, apelidado pela malta do correr na cidade de Sexy Slow Trail.
Como é de imaginar, logo pela manhã a chover, para mim teve muito pouco de sexy mas bastante de slow. Valeu-me a boa disposição da Marta e restantes elementos do grupo, e as dicas do Nuno da Natália e da Ana, incansáveis a incentivar, com muita paciência para explicar o básico e para esperar pelos mais lentos. 

O importante aqui, é que fiquei a saber com o que contar. Percebi que se realmente quero participar em provas, preciso de muito mais que duas aulas de zumba por semana e uma de cardio fitness para me preparar. Correr no meio do mato, subir e descer caminhos de cabras, sujar a roupa de lama e enfrentar os elementos parece muito romântico, mas não é um passeio no parque. Precisa de preparação, precisa de alguma orientação de quem já sabe o que faz, e acima de tudo precisa de paixão. Porque no meio de tudo, quando se começa a desmotivar é a paixão que nos salva, que nos incentiva a ir em frente.   

Se gostei? sim, gostei muito, o suficiente para tirar o rabo da cama de manhãzinha e ir correr para o mato? 
Não sei ainda... Porque tenho que confessar, tive vários momentos em que me apeteceu desistir de correr, e só não o fiz por vergonha. A recompensa foi que, não tendo desistido mostrou-me que até sou capaz, que afinal correr não é sempre igual, e definitivamente não tem nada a ver com as aulas de ginástica de há 25 anos atrás no liceu de Bragança.

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