17 de abril de 2015

Nem tudo são flores

Amanhã é dia de mais uma caminhada. 
Daquelas organizadas, em que saímos de madrugada (6.30), para só voltar à hora do jantar.
Por ser pessoa que gosta de dormir até mais tarde ao fim de semana, custa-me muito acordar tão cedo, mas como sei que o esforço é largamente recompensado, salto da cama ao primeiro toque do despertador, para não correr o risco de adormecer e perder a experiência.
Nestas andanças, para além de acordar cedo, há mais uma coisa que me causa sempre uma ansiedade para lá do razoável. 
Não se trata da distancia, do declive, do piso, da altitude, da fome ou da sede. O que me atormenta e me condiciona, é tão simplesmente a limitação da minha bexiga que parece encolher perante a perspectiva de uma longa caminhada campestre. 
Planeio minuciosamente o que bebo, em função das possíveis (ou não) instalações sanitárias ao longo do percurso. Evito o café antes da caminhada, e racionalizo a agua que deveria beber em abundância. Não é romântico (é até bastante irritante), e não combina com toda uma ideia, de bucólica harmonia na natureza.
O pior, é que quando não sei a que distancia está o próximo WC, o nervoso miudinho fruto desse desconhecimento, ataca em força, redireccionando quase toda a minha atenção para a capacidade daquele pequeno órgão.
À medida que o tempo vai passando, o pânico cresce. Chega uma altura em no meu pensamento só tenho bexiga e pernas. Perco capacidade de raciocínio e entro num estado parecido com o piloto automático. Parece que a bexiga açambarca a capacidade sensorial do meu cérebro. Juro que consigo visualizar a dilatação da dita, quando todos os líquidos purificadores, escorrem e pingam inexoravelmente para o seu interior. Como resposta ao pânico que vai tomando conta do meu bom senso, as pernas avançam céleres, com o único objectivo de aliviar a pressão que o cérebro (bexiga) lhe impõe.

E não, não é uma imagem bonita para quem pratica esta relaxante arte de caminhar.



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