7 de abril de 2015

Trás-os-Montes ... Alentejo

A Páscoa é para mim (já o disse aqui), mais que o Natal, a festa da família. 
É das tradições Transmontanas, a que mais prezo. A que me traz as melhores memórias do tempo em que lá vivia. O sol, as cores, a alegria dos recomeços. 
Era nas férias da Páscoa que plantava morangos, os mesmos que faziam as minhas delicias no inicio do Verão. Era nas férias da Páscoa que fazíamos as limpezas da Primavera para receber a bênção, era no dia de Páscoa que a casa estava aberta a quem quisesse entrar para comer as amêndoas, beber o vinho e provar o folar.
Dia inteiramente dedicado aos excessos gastronómicos, à família e ao exercício de tocar o sino. E que pesado ele era!
É esta a Páscoa que eu recordo, e da qual sinto a falta. Não sendo uma católica muito praticante, gosto das tradições, do que significam no nosso coração, desta constância que nos mantém coesos e nos confirma a nossa identidade.

Este ano o tempo era curto, e já que não pude ir ao meu Norte, fui ao Alentejo.
Mantive o campo, mudaram as cores, os cheiros e o horizonte.
Planícies em vez de montanhas, papoilas em vez de pascoelas, mas a mesma abundância à mesa. O mesmo sentido de partilha.
Quanto ás tradições, o importante é mantê-las vivas no nosso coração, e se não as podemos repetir com os nossos filhos, criamos outras, para que também eles, as possam recordar mais tarde, adoçadas pela pureza da infância.

Estremoz foi o sítio escolhido.
A ideia era arejar a cabeça, quebrar a rotina, sossegar. Acordar com o canto dos passarinhos, o cheiro a campo e o horizonte a perder de vista. Passear sem destino, fotografar, e sim, ... confesso, comer bem. 
E comi, senão atentem.
Carré de borrego com miga de espargos selvagens, Sopa de tomate com poejo e presinhas do alguidar. Milfolhas de bacalhau. Ensopado de borrego. Assado de borrego. Plumas de porco preto... E paro por aqui.  
Dos três restaurantes que experimentei (todos bons), há um que recomendo vivamente a “Mercearia Gadanha”, tudo o que chegou à nossa mesa estava divinal. E eu que prefiro salgados, tenho que admitir que até os doces estavam de comer e chorar por mais. Nada do que eu escreva aqui conseguirá fazer justiça ao festim que aquele jantar foi para os nossos sentidos.
A perfeição no tempero, na conjugação dos sabores e texturas, no tempo de confecção. O cuidado no empratamento, (que os olhos também comem!), a delicadeza no serviço.
Vale uma ida a Estremoz só para provar as iguarias que por lá servem (à cautela reservem...).

Ficámos no Monte dos Pensamentos
Monte alentejano típico, onde sossego é a palavra de ordem. Ali o tempo parece que não se mede. 
Quando a resposta para perguntas começadas por  “a que horas …?”, a resposta foi sempre “há hora que quiser.”,  penso que encontrei a calma alentejana no seu melhor.
Só lamento não ter aproveitado mais um espaço tão aprazível, mas o tempo foi curto (*) para tanto que queríamos ver, entre Estremoz, Evoramonte, Vila Viçosa e Redondo o tempo passou a correr. 

Para finalizar um fim de semana (quase) perfeito, o almoço de Domingo foi no Redondo, na casa da mãe da M. uma cozinheira de mão cheia, que nos deliciou com um almoço de Páscoa absolutamente tradicional e onde cada iguaria estava perfeita. Ninguém cozinha borrego como ela! Aqui a única decepção fui eu, que já não tinha espaço para tantas coisas boas. 

Ficam algumas fotografias, mas mais importante que tudo, ficam em mim as recordações, temperadas com a felicidade do meu filho que brincou com os seus amigos do coração, num Alentejo que já chama seu, e ao qual diz que vai voltar no próximo fim de semana para descobrir castelos, palácios, e continuar a sua caça ao tesouro, num jogo que só a sua imaginação entende.

 Monte dos Pensamentos







Estremoz







Evoramonte





Vila Viçosa








* E ficou tanto por ver e provar... As vinhas... o vinho... mas para isto seria necessário mais que um fim de semana ...


3 comentários:

Cláudia M disse...

Que lindo N. Lindo texto e lugar deslumbrante, as fotografias estão maravilhosas. Não vejo realmente maneira melhor de viver a Páscoa, em família, de certa forma mantendo as tradições, que mesmo que não sejam religiosas, nos enchem o coração. Acordar com os passarinhos é mesmo um privilégio e é das coisas que eu vou sentir mais saudades, estando longe de casa. Com as descrições maravilhosas do resturante e do lugar onde ficaram, estes locais já entraram para a minha lista dos : Locais de visita obrigatória. :)

Beijinho

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Obrigado, vale mesmo a pena ir com tempo. Um dos sítios que tenho imensa pena de não ter conseguido ver foi o interior do palácio ducal de Vila Viçosa, mas já estava fechado para visita. Quanto ao restaurante, é realmente um sitio a experimentar!

Cláudia M disse...

;) Fiquei com imensa vontade de conhecer.

Beijinho