30 de maio de 2015

Cerejas... das boas

Adoro cerejas. 
Esta é mais uma fruta que me remete à infância. 
E por gostar tanto delas, não as como, se não forem boas. Se não me trouxerem o sabor a sol, o sabor de casa. 
O meu avô materno sempre as teve no pomar da quinta. Cerdeiros (nós não lhe chamamos cerejeiras), todos os anos carregadinhos de cerejas, que vendia ainda na árvore. 

Na varanda da casa da quinta, havia um buraco por onde crescia um cerdeiro. Em boa verdade o cerdeiro já la estava antes da varanda, e por isso quando a varanda foi construída, ele deixou-o ficar. "Para que os netos chegassem ás cerejas", dizia. 
E assim foi.
Cresceu e engrossou com os anos, e sempre me lembro de as colher e comer mesmo ali. Ficava-mos em pé e era só esticar os braços. Parecia que estava-mos cara a cara com a árvore, olhos nos olhos com a copa frondosa, coberta de verdes folhas e cerejas vermelhas escuras. Era como se fizesse parte da família, como se fosse uma árvore de estimação. Afinal quase "vivia" dentro de casa. 

Foi também um cerdeiro, a primeira árvore que plantei com o meu pai, ao lado da nossa casa. O enxerto veio da quinta do meu avô, não sei se da árvore da varanda, quero acreditar que sim. Durante muito tempo disse aos meus irmãos que o cerdeiro era meu, que as cerejas eram minhas e que eles só as comiam porque eu deixava... Egoísmo infantil á parte, a verdade é que o sentia como meu. 

Mas esta minha paixão pelas cerejas começou cedo, começou ainda antes de eu ter nascido.
Conta-me a minha mãe, que quando estava grávida de mim, já no fim do tempo, mas ainda no inicio de Maio, teve desejos de cerejas. Desejos a sério, daqueles que não são capricho. E em Maio, ainda é cedo para cerejas em Bragança, por isso podem imaginar a aflição do meu pai. Por sorte, foi por altura da Feira das Cantarinhas. Uma grande feira anual onde aparecia de tudo, inclusive as primeiras cerejas do ano. O meu pai conseguiu assim encontra-las por lá, e satisfazer-lhe o (meu) desejo. 

Recordações à parte, hoje falo de cerejas porque finalmente as encontrei das boas. Cerejas grandes, vermelhas, doces e rijas. Cerejas do meu Norte. Cerejas que me encheram as medidas. Quem as quiser encontrar também, passe pela Marina de Oeiras este fim de semana, onde está a decorrer o Urban Market. Entre muitas outras coisas há lá cerejas... das boas.





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