4 de maio de 2015

Os despojos do dia

Neste dia que se imagina doce e materno, neste dia que se idealiza com pequeno almoço na cama depois de abraços pequeninos, beijos melados de filho, com prendas feitas à mão... acabou comigo ... chamemos-lhe eufórica.

O filhote tinha uma festa de aniversário durante a tarde, e nós fizemos aquela pergunta que se faz quando se está sem filhos durante umas horas: "o que podemos fazer que seria impossível na companhia do filhote?" Depois de algumas ideias concordámos numa. A prova de vinhos no Palácio Marquês de Pombal. 




Não sei se já o confessei aqui, mas sou menina que gosta de um bom tinto (e branco, e rosé...).
Quase não aprecio álcool. Não consigo beber cerveja, fujo de quase todas as bebidas brancas, mas de vinho gosto. 
Não sou entendida, mas na minha opinião, um bom vinho (tal como uma boa companhia) pode transformar uma boa refeição numa refeição excepcional.
Em suma, deixei a cria na festa (shame on me) e fui ligeirinha provar o máximo de vinho que consegui. 
Esta era uma experiência que estava na minha lista há já alguns anos, e como tantas outras foi adiada, por isto e por aquilo. 
Podia dizer que já a posso riscar da lista, mas a verdade é que não vou riscar, vou mante-la na coluna que diz  a repetir.
Sei que este é um ritual com alguma ciência, mas para pessoas com eu, que simplesmente gostam de vinho, uma prova só tem dois resultados, gosto ou não gosto. Não há cá conversas elaboradas sobre bouquet ou complexidade, quando muito sai um comentário do género "este não me deixa a boca encortiçada" Ou "este é tão suave que bebia a garrafa inteira" ... 
Para mim esta prova não foi mais que uma boa desculpa para descobrir vinho, falar de vinho, beber vinho, e levar para casa algumas garrafas comprovadamente do meu agrado. Nos intervalos comi uns petiscos, para que o estrago não fosse tão grande e conseguisse aparentar durante mais tempo um aspecto sóbrio. Sim, sou rapariga de pouco arcaboiço e pouco habituada a beber, pelo que bastam dois copos para me deixar a pisar nuvens.

Escolhi para petiscar o cantinho do  B'entrevinhos que já conhecia, e não me arrependi, as bochechas com compota de frutos vermelhos estavam de comer e chorar por mais, e combinavam com os tintos que andava a beber.
Mais uma vez parabéns ao Bernardo.
Lamento não ter dado mais atenção ao Palácio, que me pareceu digno de uma visita por si só, mas o tempo era curto. Ao fim das duas horas que passaram a voar, era altura de ir recolher a cria na festa. 
Ainda me senti brevemente incomodada com uma questão que me veio cabeça, "será que consigo disfarçar que estou com os copos?" mas foi incómodo breve, porque a resposta quase imediata que se seguiu foi "ele está bem, quase não bebeu, e eu assim descontraída, sou muito mais simpática". O espírito certo, portanto.

Foi uma tarde pouco maternal, mas que cumpriu as expectativas de todos.
O filhote estava feliz, eu estava alegre, e ele muito contente com as aquisições (bastante em conta) do dia.

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