22 de junho de 2015

Amesterdão, chuva e seca

Já sabíamos que o dia seria de chuva, mas mesmo assim saímos cedo, pois o bilhete de 24 horas de barco acabaria ao meio dia. Queríamos começar na outra ponta da cidade, na zona mais antiga perto da velha igreja (Oude Kerk), e decidimos ir de barco até lá. 
O primeiro ponto do dia seria uma igreja secreta que nos tinha sido recomendada por uma amiga. 
Houve na história da Holanda um período em que o catolicismo era mal visto. Por isso os católicos praticavam a sua religião em segredo. A igreja em causa é tão secreta, que ninguém em Amesterdão nos conseguia dizer onde ficava. Perdemos uma manhã inteira á sua procura. 
Quando finalmente um bartender nos disse onde era, percebemos que tínhamos andado sempre muito perto sem a conseguirmos avistar. Um prédio comum, com um aspecto perfeitamente banal, e no ultimo andar... uma igreja. Foi uma viagem ao passado bastante interessante, principalmente porque a aura de segredo ainda habita naquele prédio.
Dali rumámos de novo para o mundo religioso desta vez para conhecer o Begijnhof, um bairro dos mais antigos, um lugar criado para recolher e proteger mulheres sozinhas. 
E é uma surpresa, encontrar um local tão pacifico e tão sossegado mesmo no coração da cidade. Para nós a surpresa foi ainda maior porque para além do local, que só por si vale uma visita, tivemos a sorte de assistir a parte de um casamento que se realizava ali mesmo, na igreja. Nunca tinha assistido a uma cerimónia assim. Cá fora, depois do sim, os noivos dançaram, os convidados dançaram, toda a gente cantou. Campainhas foram chocalhadas por todos para abençoar os noivos, e só depois de vários gritos de celebração e  alegria, os noivos e todo o seu séquito, seguiram para continuar a festa noutro local.
O dia, estava chuvoso, e a vontade de caminhar já não era a mesma. A minha amiga, tinha ainda lembranças para comprar, pelo que finalmente me rendi à sua vontade de entrar nas lojas. Não é que eu não goste de lojas, mas não era esse de todo, o meu objectivo, além disso tinha levado comigo uma mala tão pequena que não cabia lá nada.
Fomos ao mercado das flores, vimos pechinchas, coisas originais, tralha para turistas, de tudo um pouco. 
No fim do dia rumámos ao hotel, pois sabíamos que haveria outro espectáculo no Vondelpark, desta vez de cabaret. Queríamos chegar cedo para ficar à frente, pois não queríamos perder uma virgula...
Jantámos rapidamente e lá fomos nós cheias de expectativa. 
Imaginei musica, imaginei dança, imaginei luz, cor e diversão. A noite trouxe algo completamente diferente.
Ali estávamos nós ao ar livre, na segunda fila, dois casacos vestidos porque estava frio e a chuva tinha voltado, o publico bem disposto, aguardava em amena cavaqueira. Começa a horas. O artista foi-nos apresentado em holandês, todos batiam palmas com entusiasmo, e eu comecei a ficar apreensiva quando começou a falar.
Não era música, nem dança e muito menos luz e cor. Era Stand Up comedy... Em língua de trapo. 
Piadas sem fim numa língua absolutamente incompreensível para mim.
A minha amiga ainda achou que seria só um numero. Que a seguir sim, teríamos o tão prometido cabaret. 
As pessoas riam até ás lágrimas. O artista interagia com o publico das primeiras filas, e nós olhava-mos para outras direcções para não sermos interpeladas.
Veio o seguinte. Mais do mesmo. Eles deviam ser mesmo bons, todos riam agarrados à barriga. Menos nós, que aguentávamos estoicamente de sorrisos amarelos, apesar da chuva e do frio, porque é falta de educação sair a meio.
Foi uma hora e meia de frio, chuva, e seca. Chegámos a casa geladas e sem saber se havíamos de rir ou chorar....




















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