4 de junho de 2015

Desalento

Ás vezes adormeço e acordo num desalento que não explico.
Com vontade de baixar os braços, e desistir de remar contra a maré. 
Vontade de pôr de lado esta inquietação, e aceitar que as coisas são mesmo assim. Porque afinal quero demasiado. Sonho demasiado. Pressinto um caminho que mais ninguém vê, que porventura, não é o meu.
Se calhar não tenho a força necessária, ou a argamassa. Se calhar ando enganada por um alter-ego que cresce com pés de barro. Iludida num balão de optimismo Insuflado de vento. Se calhar, afinal não consigo tudo.
Se calhar vivo numa ilusão criada por mim. Por esta insatisfação, por este acreditar que não pode ser só isto. 
Que não sou só isto.
E se for? 
E se as bênçãos que agradeço todos os dias, são tudo o que me devia bastar? 
E se não me permito ver o que está tão perto, porque olho para longe?
Mas então porque adivinho mais? Porque me sinto eu tantas vezes, um copo meio vazio, se afinal está meio cheio?
E duvido. duvido muito. Duvido de tudo, mas principalmente de mim.
A noite passa. O dia nasce. A esperança renasce. Começo tudo de novo.
Dou um passo para trás e outro para a frente, nesta dança que me cansa e me entontece. E sinto o coração apertado, porque desistir é morrer todos os dias um bocadinho. Baixar os braços e deixar-me ficar neste balanço, é adormecer lentamente num torpor de onde raramente se acorda. E quando porventura se acorda, é num estertor quase dramático de tempo acabado. Onde o ultimo grito abafado ninguém o ouve. E não interessa, porque já é tarde demais.


Sem comentários: