27 de junho de 2015

Olhos no chão

Regressar à rotina é regressar a mim. Ao meu centro.
Voltar  ao mar calmo é ter tempo para contemplar o horizonte.
Regressar ao silencio, é ouvir de novo aquela voz interior que a agitação mascara.
Estar a sós comigo, força-me a olhar para dentro de mim, a retomar a consciência. A apreciar (ou não) a minha companhia. 
A ver-me tal como sou, em vez de ver o reflexo de mim nos outros. 
E se por vezes gosto do que vejo ou sinto, há vezes que não. Há alturas em que não sinto orgulho. Há momentos em que me condeno, procurando ao mesmo tempo justificações.
E nesta ambiguidade de sentimentos o desassossego cresce. A insatisfação aumenta, e luto entre a vontade de fugir deste estado que me atormenta, e a de me entregar a ele de vez, numa derradeira rendição. Qual velha fatalista de braços baixos e olhos no chão.


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