6 de julho de 2015

Amiga de sempre

Hoje a minha amiga de infância faz anos.
Conheço-a, desde que me conheço a mim, ou seja, desde os 2 anos de idade. Posso afirmar convictamente que até aos 18, idade em que saí de Trás-os-Montes para estudar, as nossas vidas seguiram sempre muito próximas. Tão próximas que por vezes nem era preciso falar para que o entendimento acontecesse. 

Neste dia quente de verão, recordo mais uma vez com saudade, os Verões da nossa infância.
Verões que cheiravam a feno, ao musgo húmido dos tanques de rega que usávamos clandestinamente como piscina, e a nívea, o único creme hidratante por nós conhecido.
Verões com dias tórridos passados à sombra, a ensaiar uma qualquer coreografia da Fame (ela sabia-as de cor), a jogar ás cartas com outros amigos, no rio mais próximo a chapinhar com bóias feitas de câmaras-de-ar velhas, ou simplesmente penduradas num baloiço, a falar do passado e a projectar sem limites, os nossos sonhos futuros com a inocência que só as crianças possuem.
Verões de noites quentes e céu estrelado, partilhados com muitos miúdos dali, e de outras paragens que por lá passavam as férias com os avós, com histórias contadas em cima do muro da igreja, ou então a brincar ás escondidas, nas sombras projectadas pelas casas da aldeia, quando a lua estava cheia.
Verões que pareciam eternos.

No dia 6 de Julho havia sempre piquenique de aniversário. Tornou-se tradição.
Um lameiro (prado) verde com muita sombra e perto de casa era o local escolhido. Uma manta, comida, e alguns amigos, faziam a festa perfeita.
Era completamente organizado por nós, e para o qual todos contribuíamos. 
O resultado final, à luz dos nossos dias, seria considerado modesto, mas para nós era um verdadeiro repasto. Uma festa que culminava com o bolo de aniversário que ela fazia (tão bem) e que todos adorávamos:  Salame de chocolate.
Tínhamos tudo o que precisávamos para um dia feliz.
Não eram necessários adultos a tomar conta, nem animadores, nem prendas.
Os presentes éramos nós, a nossa alegria de estar juntos, e de juntos podermos celebrar.

Não me atrevo a dizer que naquela altura valorizávamos mais a amizade, mas garantidamente aproveitávamos mais os prazeres simples da vida, porque tínhamos pouco. Porque o nosso melhor “brinquedo” era um amigo. E quanto mais amigos tínhamos perto de nós, mais sortudos e felizes nos sentíamos. E nessa simplicidade éramos afortunados.  
Hoje, ela está longe, não lhe posso dar aquele abraço que também a mim me faz falta, porque a saudade aperta. Mas a saudade que por vezes dói, é só  o reflexo de tantas lembranças preciosas que construímos juntas, e por isso aceito-a com carinho.
Parabéns M. desejo que tenhas um dia muito feliz, cheio de amigos à tua volta, para celebrar contigo.
E que todos se sintam “ricos” com essa fortuna que é a amizade.






4 comentários:

Cláudia M disse...

Tão bom este post ! A amizade é algo precioso e é tão bom crescer com amigos assim, amigos de uma vida.

Este post fez-me sorrir, lembrou-me a minha infância, também eu tomei banhos em tanques de rega e andei em baloiços de câmaras de ar, assim como também as usávamos como bóias... coisas boas de outros tempos...

Obrigada por me ajudares a recordar momentos doces da minha infância.

Beijinho N

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Não sei que fenómeno é este, mas geralmente quando vou à caixinha das memórias de infância acabo sempre a sorrir...
bjs

Mini Mi disse...

Adorei o post, também lembrei-me se momentos mesmo bons.

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Obrigado, é tão bom lembrar não é?