4 de agosto de 2015

Medo, acto I

Soube através da Catarina, desta ideia a acontecer no Porto aos Domingos.
Não podendo (com muita pena minha) estar presente, decidi acompanhar sempre que possível, de longe, este desafio. Não consegui enviar em tempo útil o meu texto, pelo que o vou colocar aqui durante os próximos três dias.


Medo irracional


Estou atrasada. Fiz tudo bem  e ainda assim estou atrasada. Raios!
Acordei mais cedo, para sair com tempo. O aeroporto ainda é longe e o avião não espera por ninguém.
Dois minutos depois de começar a tomar banho, a agua fica fria, e solto alguns impropérios. A porcaria do esquentador tinha que deixar de funcionar logo hoje, e eu que não consigo tomar banho de água fria… 
Saio da banheira a escorrer água. Atravesso a casa toda para chegar à cozinha para ver o esquentador. Com o cabelo cheio de champô tenho mesmo que resolver a situação. Olho, está ligado, tudo parece normal. Na casa de banho abro de novo a torneira, mas a a água continua fria. Volto à cozinha para experimentar tudo o que me lembro. Ligo e desligo. E de novo para a casa de banho e fazer o teste. Nada. O tempo a passar começa a afectar-me os nervos. Tento acalmar-me. Abro janelas, pode ser que seja falta de oxigénio. 
O frio que está lá fora, ainda de madrugada, entra pela casa adentro, começo a tremer enroscada na toalha, e a bater os dentes. No corredor vai ficando um rasto de agua cada vez maior. Escorrego e quase caio. Regresso para a casa de banho. Nada. De novo na cozinha desligo e volto a ligar. Nada. Reviro as gavetas à procura do manual (como se eu percebesse alguma coisa de manuais de electrodomésticos), estou por tudo. Não o encontro em sítio nenhum. O tornozelo começa a doer. Acho que o torci quando escorreguei. Olho para baixo e vejo que está inchado. Era só o que me faltava. 
Há que definir prioridades, depois trato disto... 

Olho para o relógio. Entre idas e vindas da casa de banho para a cozinha a tentar resolver o problema, o tempo passa. 
Respiro fundo, mentalizo-me, penso na água fria. Lá terá mesmo que ser. 
O banho foi entre gritos, grunhidos e palavrões.
Depois do banho, tento aquecer o bloco de gelo em que se transformou a minha cabeça com o secador no máximo. Começa-me a cheirar a chamuscado… Devo ter queimado o cabelo algures, nem quero saber onde. Azar, agora vai apanhado e depois logo vejo a dimensão do estrago. Volto ao quarto para me vestir, não há cuecas na gaveta. 
Pois..., tinha arrumado as últimas na mala. Vou ao estendal à procura de cuecas lavadas. Apercebo-me que a roupa que tinha posto a lavar no dia anterior, ainda estava na máquina. Molhada. Penduro tudo num instante e fico indecisa entre secar as cuecas com o secador de cabelo, ou abrir a mala (que tanto me custou a fechar) e tirar de lá um par. Espera, tenho uma ideia. O micro-ondas. Vi num filme e decidi experimentar. Talvez… 5 minutos?




2 comentários:

Cláudia M disse...

Ai o que eu me ri com este texto ;D muito bom! 5 minutos no microondas ?!! Vão ficar chamuscadas! :p

Beijinhos

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Pois, parece lógica essa conclusão. Pena que a lógica desapareça quando mais faz falta...
bjs