6 de setembro de 2015

Da gula ... e outras coisas boas.

"Temos saudades vossas, liga para combinarmos um jantar, um destes dias..."
Esta é a frase que vamos dizendo aos amigos que adoramos, por telefone, ou nas raras ocasiões em que se cruzam connosco entre compromissos e tarefas inadiáveis.
O tempo é curto para o tanto que queremos fazer, passa uma semana, um mês, vários meses. Parece que tudo se atravessa para gorar as intenções. As agendas riem-se em surdina como que a gozar o facto dos dias livres nunca coincidirem, de tal forma que ás tantas já parece praga rogada.
E de repente acontece! Melhor que isso, acontece duas vezes no mesmo fim de semana. De forma que eu, desconfiada das coincidências felizes, fico com receio que surja um imprevisto rancoroso, vindo do gerador de pragas aleatórias, que o universo parece gostar de usar na minha direcção.

Não foi o caso, e assim, concretizou-se todo um fim de semana dedicado à boa comida, ao bom vinho e a conversas intermináveis à mesa, com as nossas pessoas do coração, as melhores. Os nossos amigos.
Afianço-vos que o vinho, as sobremesas, e todas as outras iguarias feitas com amor, foram o combustível perfeito para a serão de Sábado, e a tarde de Domingo. Mas não foi o delicioso pecado da gula, cometido inúmeras vezes que me inspirou a escrever sobre estas duas refeições. Foi antes, a sensação feliz e inesperada, de verdadeiramente estar no tempo e no espaço. Não o consigo explicar, (se calhar foi só vinho a mais...), mas tive uma forte impressão de ser e sentir, tudo em simultâneo. 
De certeza que já me senti assim, mas a verdade é que nem sempre registamos as coisas boas. Na maior parte das vezes simplesmente acontecem e não lhe damos o devido valor. Por isso, ultimamente dou por mim a reparar melhor, a saborear, a concentrar-me no momento para esticar o tempo. E ás vezes, acontece, parece que o tempo abranda intensificando tudo. 

Tenho que largar esta pressa que trago comigo, de querer estar em todo o lado. Perder este receio de falhar algo importante quando fico em casa. Porque quando se corre demais, perdemos de vista o ponto de partida. A nossa base. De vez em quando é preciso parar e estar. São as nossas pessoas, que nos enchem a alma, que nos recordam o que realmente importa, que nos devolvem o que somos. E nada melhor que uma refeição preparada com carinho, para partilhar o melhor de nós com eles, pois é nesta generosidade simples que a amizade melhor se celebra.  A repetir brevemente.



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