29 de janeiro de 2016

Parabéns, meu amor (quase) crescido

Hoje é o dia.
O dia que aguardas em contagem decrescente há quase um mês. O dia que no teu entender te faz “quase” crescido, e que no meu tem outros significados. O dia que segurei a tua mão pela primeira vez, sem ter ainda a real dimensão do que isso significava. O fim e o principio de uma viagem maravilhosa, o principio do medo (à séria) e do deslumbramento, o fim de uma espera que me pareceu longa, pois foste muito desejado.
Pode parecer um pouco piroso, mas nunca me senti tão importante como quando estava grávida de ti. Tinha o "rei na barriga".
Apesar de todos os medos e ansiedades próprias do estado, sabia que no que dependesse de mim tudo ia correr bem. Tu vivias aqui dentro e isso tornava-me especial. Foi nessa altura que aprendi uma das coisas mais importantes que sei hoje, a coragem nasce do amor. Soube (quase) imediatamente que no amor de mãe não há medo que nos vença, olhamo-lo nos olhos, reconhecemo-lo, mas ele não nos paralisa. Reduz-se simplesmente a mais um obstáculo a ultrapassar. 
Não tenho vergonha de dizer que aproveitei todos os benefícios de estar grávida. Não por que me sentisse mais frágil ou limitada, mas porque me sentia especial e queria exibi-lo ao mundo inteiro. 
Desses nove meses, nem tudo foi simples (raramente é), mas de todas as coisas há uma de que sinto a falta, o "estado de graça", um estado em que me sentia envolvida por toda a calma deste mundo. Não sei se foram as hormonas, o sentido de responsabilidade, ou quer-te transmitir boas vibrações, mas o que é certo, é que nada exterior a nós me atingia.
Preocupações, stress, complicações que sempre me desorientaram no trabalho e na vida pessoal, durante a gravidez, pareciam coisa pequeninas, sem importância, que resolvia, ou não, sem que me tirassem o sono. 
Ainda hoje, retenho laivos dessa sensação de invulnerabilidade, e quando a ansiedade de nada controlar me envolve, penso em ti, e recupero a certeza de saber, que os medos se vencem de coração cheio
E tu, mais que tudo neste mundo, fazes o meu coração transbordar. 
Este amor incondicional que me atingiu sem aviso, e que eu não trocava por nada, por vezes dificulta-nos a vida. Nesta vontade de te preparar para o mundo real, nesta arte difícil que é o praticar do não, e de te mostrar os limites, sem dar limite ao quanto gosto de ti, vem o amor ... e complica tudo.
Porque neste amor infinito, tu, dono desse (re)conhecimento, usa-lo sabiamente a teu favor. Enganas-me com abraços apertados e beijos gordos (que adoro), eu desoriento-me, e lá se vai a pedagogia.
E eu sei, que estás (quase) crescido, e que apesar de parecer que me estou a queixar, não estou, porque um destes dias vou ter saudades dos teus subornos com beijos gordos e abraços apertados, das tuas bochechas encostadas ás minhas, dos teus beijinhos de pestanas, e da facilidade com que dizes “gosto muito de ti”.
Até lá, vou aproveitar cada minuto do "quase" e garantir que tu também aproveitas. Parabéns filho.  



2 comentários:

Cláudia M disse...

Parabéns (atrasados) ao filhote :)

Beijinhos Natália

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Obrigada. ;)