14 de fevereiro de 2016

Carol

Tenho andado afastada das salas de cinema. Puro desleixo, e digo desleixo porque os filmes aparecem, eu anoto mentalmente os que quero ver, e invariavelmente eles deixam a minha sala "do costume", depressa demais. Este fim de semana, não dei tréguas. Iria independentemente de qual fosse o filme, (havia vários promissores). Carol foi o escolhido, simplesmente porque a amiga que me acompanhou, me disse que o queria ver. Concordei, a Cate (Blanchett) não costuma desapontar, e sendo um filme sobre mulheres e sobre o amor, despertou-me a curiosidade. Foi uma boa escolha.
Gostei da forma como todo o enredo foi conduzido, numa cadência lenta mas segura. A atenção aos pormenores elevou o filme, oferecendo-nos momentos sublimes onde se adivinha mais do que se vê. A fotografia centra-se nas duas mulheres de forma diferente, a expressividade de ambas diz-nos mais sobre o seu estado de alma que os diálogos. O olhar é sempre ponto de partida e chegada, em cada momento chave. E no meio de tudo isto a neve. Nova Iorque no Inverno, Natal e neve equivale a magia. Posso estar a ser demasiado fantasiosa, mas para mim, aquele cenário cinzento e enevoado, acariciado por flocos de neve, parecia quase etéreo, não fosse o palco de uma história tão terrena. Uma história que  nos envolve, e nos toca, pois percebemos-lhe a actualidade. Assusta recordar a fragilidade da mulher, num mundo de homens. Num mundo onde evitar escândalos significava preservar a intimidade, ou as aparências. Num mundo (o nosso), onde era fácil perder o direito mais precioso, o de criar e educar um filho. 
Capa do filme Carol
Imagem retirada da Net

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