21 de fevereiro de 2016

Os oito odiados

Quentin Tarantino é talvez o único realizador de filmes sangrentos que me leva ao cinema. Fui ver o que dizem ser o oitavo filme dele, e não decepcionou. Não sendo (na minha opinião) o mais brilhante, continua a ser um filme com a sua marca. O sarcasmo, a violência em excesso, o politicamente incorrecto e o sangue. Sempre demasiado sangue.
Mais um filme que mostra seres humanos conduzidos pelos seus instintos mais primários, o medo, a ganancia, o amor e o ódio, numa trama de aparentes acasos improváveis. 
A  banda sonora do Ennio Morricone, é aqui o casamento perfeito, transformando cenas de aparência banal num crescendo dramático, obrigando-nos a antecipar o que sabemos ser inevitável.
A simplicidade de um filme quase teatral num mundo de efeitos especiais, precisa de outros atributos para captar a atenção. Aqui tudo isso foi magistralmente conseguido através de actores escolhidos a dedo, diálogos "quase" declamados, histórias dentro da história, e um fio condutor em forma de narrador.

Pode parecer que voltámos atrás no que toca à sétima arte, mas este regresso ao básico acaba por ser refrescante. A separação em capítulos, mais uma vez, remete-nos ao passado, mas faz todo o sentido naquele filme, mantém a coerência, marcando o ritmo e delimitando pontos de viragem. A primeira gargalhada (Oh vergonha!) que quebrou o silencio da sala, foi a minha, única ao principio. Mas acompanhada por mais meia dúzia depois. 
Sim, ri de coisas parvas e reprováveis, talvez fruto da tensão acumulada, mas a comicidade nos filmes do Tarantino é bruta e a meu ver inevitável. Por contraste desfoquei a imagem várias vezes, que na verdade não sou fã de "gory details".
"Como é que é possível não gostar de cenas sangrentas, mas gostar dos filmes do Tarantino?" perguntam-me. 
Pois não sei, mas é mesmo assim, idiossincrasias. 

  Imagem retirada da net.

4 comentários:

Joana Sousa disse...

EU QUERO VER ESTE FILMEEE! Confesso que todo o ambiente teatral - e a ameaça de que virá a palco - me deixa ansiosíssima por vê-lo, mas mesmo sem isso, Tarantino é Tarantino. Um génio do equilíbrio e do desvario. E do gore a mais, sim, concordo. Mas uma pessoa acaba por gostar!

Jiji

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Escrever Fotografar Sonhar disse...

"um génio do equilibrio e do desvario" è mesmo isso.
;) beijocas

Ältere Leute disse...

Deixe-me partilhar este post do seu blogue , que encontrei por acaso, através da Drª Helena Sacadura Cabral !
Diz-se aqui tudo o que senti sobre o último filme de Q.Tarantino. Foi o "Django Libertado" que me levou ao cinema dele e agora quis confirmar.
Que estranho achei que nenhum dos seus aspectos e nenhum dos seus actores - com realce para Samuel L. Jackson - tivesse sido nomeado para os prémios ! Sim, a banda sonora de E. Morricone até foi premiada ... mas seguramente mais como galardão de carreira, não pelo seu significado no... - naquele filme .
Obrigada pelo seu texto !
MªAugusta Alves

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Muito me alegra saber que chegou aqui através do blogue de uma senhora que tanto admiro.
Quanto ao filme, teve mais duas nomeações, melhor actriz secundária e melhor fotografia. Apesar de Jennifer J. Leigh ter estado à altura do papel, não foi ela quem mais me arrebatou.
Não vi ainda o filme "O renascido", que ganhou o Oscar de melhor fotografia (está para breve), mas dos nomeados que vi,ficaria muito indecisa entre os "8 Odiados" e "Carol".
Obrigada por partilhar a sua opinião.