18 de março de 2016

António Zambujo e Miguel Araújo

Por vezes a soma das partes é muito mais que um total matemático. 
Neste fenómeno que descrevo, 1+1 acabou por ser muito mais que 2. O resultado ultrapassou largamente as minhas expectativas, como se trata de música em vez de matemática, e de pessoas em vez de números, o fenómeno acaba por não ser assim tão surpreendente, ainda assim fiquei deslumbrada com o resultado. Aconteceu ontem à noite no concerto do António e do Miguel, e chamo-lhe assim (António e Miguel), porque nunca me aconteceu estar num espectáculo, no meio de tanta gente, e sentir-me tão próxima dos artistas. Foi um concerto que mais parecia um "ajuntamento" de amigos. Daqueles que acontecem espontaneamente, quando alguém começa a cantar e a tocar viola algures, provocando em nós, uma vontade de participar também, cantando, e sugerindo mais e mais músicas. Porque foi tal e qual, as conversas, a simplicidade, a descontracção. Aqueles dois músicos cheios de talento, em cima do palco, criaram uma energia que nos envolveu a todos. A cumplicidade era tão grande que nos arrastou para uma enorme sensação de pertença. Quanto à musica, foram buscar as nossas (e deles) recordações mais ou menos longínquas, cheias de memórias felizes da adolescência, misturadas com as suas mais recentes criações. O Fado, o Samba, o cantar Alentejano, alguns clássicos que todos adoramos, transformaram a noite numa manta de retalhos musical, e num tributo às nossas raízes. Na minha opinião, o vozeirão do Miguel adoçado com a voz quente do António, criou uma harmonia que encantou. O que vinha daquele palco parecia uma espécie de vinho quente, doce, cheio de especiarias, que entorpece, embalando-nos numa lassidão de olhar longínquo e sorriso nos lábios. E foi com esse sorriso que saí de lá no final da noite, quando tudo acabou. 

16 de março de 2016

Dois! Venha o próximo.

Dois anos deste Blogue.
Dois anos de fotografias, textos e sonhos, cumpriram parte do objectivo inicial: fotografar, criar rotinas de escrita, partilhar.
Mas mais que cumprir objectivos estes dois anos trouxeram um mundo de coisas boas, as pessoas (tantas!), experiências, auto-descoberta, novas formas de comunicar.
Em retrospectiva consigo sentir a aprendizagem e o amadurecimento que se deu. Mas não chega.
Escrevi muito, fotografei muito mais, publiquei aqui menos do que gostaria. A disciplina não é o meu forte.
A verdade é que com mais ou menos frequência, na escrita e na fotografia a coisa dá-se naturalmente, e é assim que tem de ser, (por obrigação deixa de fazer sentido). Mas no sonho sinto que estou a falhar.
Sonhar parece o mais simples, não é? Também eu achava que sim. Como é que se pode falhar no sonho?

15 de março de 2016

Irmãos

Estive muitos anos a viver em Lisboa sem família por perto. Fiz de alguns amigos família, família essa que que cresceu quando deixei de viver sozinha. Neste ultimo ano, tive a sorte de ter por cá dois dos meus irmãos a trabalhar, e consegui durante este tempo, manter uma periodicidade de jantares cá em casa, apesar dos compromissos e limitações de cada um (nunca à sexta nem ao fim de semana).
Durante uma semana de trabalho é complicado para todos, principalmente para a criança cá de casa, que precisa de dormir muito mais que nós. Claro que ele não se queixa, e um dia não são dias! 
No fim deste mês, um deles vai regressar a Bragança e o outro passará a estar temporadas fora, ainda assim tentarei alimentar a tradição, sempre que possível. É muito agradável para todos, principalmente para o meu filho, que tem por eles uma adoração que me derrete.

10 de março de 2016

Parentalidade Positiva

Isto da maternidade "dos tempos modernos", tem coisas caricatas, uma delas é a nossa compulsão por cursos, workshops e livros sobre o tema. Começamos pela preparação para o parto, e a partir daí é sempre a “actualizar currículo”.
Queremos o melhor para os nossos filhos, e uma vez que já não termos a nossa "aldeia" por perto como antigamente, (mães, tias, irmãs mais velhas...) procuramo-lo fora de nós. Nessa procura encontramos tanta informação e tão contraditória que nos confunde ainda mais. Consequentemente em vez de nos sentirmos mais aptas, acontece o contrário, a culpa e a insegurança crescem. 
A partir de determinada altura, dá-se um click, e percebemos que também isto da maternidade tem modas
Começamos  então a  questionar as teorias alheias, e a deixar de aceitar de olhos fechados, o que os supostos “gurus” defendem, porque na verdade o nosso filho é único.
Com o tempo e a maturidade, ganhamos a segurança que precisamos para seguir o nosso instinto.

2 de março de 2016

Miùdas façam os vossos exames

Tenho uma amiga que teve cancro da mama. 
Na verdade, do meu grupo de amigas, foi mais que uma a passar por essa terrível experiência. Esta amiga em particular, teve a “sorte” de o detectar mesmo no inicio, quando era ainda uma coisinha de nada. Aconteceu num desse exames de rotina que temos tendência para adiar. E digo temos, porque quase todas as mulheres que conheço o fazem (eu inclusive). Por desleixo, porque são chatos, porque falta de tempo, por… Desculpas.
Voltando a esta amiga de que falo, depois dessa experiência (sempre difícil), que felizmente já lá vai, nunca mais se desleixou. Melhor que isso, quando vai fazer os seus exames faz questão de nos recordar a todas como é importante manter esta rotina.
Hoje, foi o dia dos meus, e andei rabujenta toda a manhã por isso. E não, nunca é fácil, a nossa imaginação é tramada, e o que a experiência nos vai trazendo não ajuda. Mas nem tudo é negativo, eu, sempre que estou naquela sala, nua da cintura para cima, ou da cintura para baixo (conforme o caso), com receio (pânico vá...) do que possa lá vir, lembro-me da minha amiga. Digo a mim própria que está tudo bem, mas se não estiver, mais vale descobrir rapidamente para que tudo corra pelo melhor.