15 de março de 2016

Irmãos

Estive muitos anos a viver em Lisboa sem família por perto. Fiz de alguns amigos família, família essa que que cresceu quando deixei de viver sozinha. Neste ultimo ano, tive a sorte de ter por cá dois dos meus irmãos a trabalhar, e consegui durante este tempo, manter uma periodicidade de jantares cá em casa, apesar dos compromissos e limitações de cada um (nunca à sexta nem ao fim de semana).
Durante uma semana de trabalho é complicado para todos, principalmente para a criança cá de casa, que precisa de dormir muito mais que nós. Claro que ele não se queixa, e um dia não são dias! 
No fim deste mês, um deles vai regressar a Bragança e o outro passará a estar temporadas fora, ainda assim tentarei alimentar a tradição, sempre que possível. É muito agradável para todos, principalmente para o meu filho, que tem por eles uma adoração que me derrete.

Hoje dei por mim a pensar, não na alegria dele, mas na minha, e ao mesmo tempo na melancolia que me cerca, por saber que em breve um deles estará muito longe. Tinha-me habituado aos dois, a sabe-los já ali, a 15 km de distância. Hoje, caí em mim, apercebi-me o quanto me fazem falta. Antes, não o sabia. Ou melhor, sabia mas não o sentia, não se sente a falta do que não se tinha...
Aqui, a guardar este sentimento para memória futura, chega-me ao pensamento o que dizia ás minhas colegas de trabalho, sempre que eles cá vinham, justificando a minha pressa em sair, e correr para casa, para preparar o repasto: 
“ hoje tenho cá os meus irmãos para jantar, o meu filho está em delírio.”
Tudo verdade, mas uma verdade incompleta. Porque não é só ele que fica em delírio, também eu.
E sorrio ao escrever isto, porque hoje os meus irmãos vêm cá jantar.


  


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