8 de maio de 2016

Demanda do roupeiro

O inverno já acabou há mais de um mês, e apesar de me parecer que a Primavera não está muito convencida a ficar, eu, já cansada do frio, vou olhando para as montras cheias de coisas bonitas, leves e coloridas e fico cheia de vontade de entrar, experimentar e comprar.

É normalmente no provador, quando gosto mesmo de alguma coisa, que a consciência se manifesta, “ mais! Precisas mesmo disso? Onde queres tu meter mais roupa?” … Mas é tão giro (digo baixinho)… E prometo a mim mesma, que desta vez vai ser a sério. Aquele roupeiro vai mesmo levar uma grande volta!

Porque todos os anos, quero muito arranjar espaço, mas invariavelmente o resultado fica aquém das expectativas.

Recentemente, depois de várias tentativas de destralhanço falhadas, cheguei à "brilhante" conclusão que tenho uma enorme dificuldade em me desfazer de roupa. O que começo cheia de vontade e determinação acaba sempre por dar poucos resultados. Tenho coisas que já não visto há mais de 10 anos, mas como as minhas medidas quase não mudaram, acho sempre que posso voltar a vestir. Afinal, um dia destes serão peças vintage!

Esta minha mania, tem de acabar, porque o meu roupeiro (que é grande) já está a rebentar pelas costuras, e em breve, tenho que deixar de ocupar (também) o do meu filho, porque ele começa a precisar de mais espaço…   
Claro que todos os anos me desfaço de algumas coisas, ponho no lixo o que está estragado, e o resto entrego em centros de recolha. Obviamente isto não chega, porque o roupeiro anda sempre no limite. E sejamos francas, ninguém precisa de 10 pares de calças de ganga (alguns com mais de 15 anos), quando são para vestir ao fim de semana, e na prática se vestem sempre os mesmos dois pares… E isto é válido para quase tudo o resto.   

Em teoria, sou fã do minimalismo, admiro quem o consegue praticar, pois faz todo o sentido na minha cabeça, principalmente, por ser uma excelente forma de fazer escolhas inteligentes. Ao comprar menos, podemos optar pela qualidade em detrimento da quantidade, menos, equivale a mais espaço, que se torna mais fácil de manter. Além disso, se só mantivermos, o que gostamos mesmo muito, todos os dias sairemos de casa com a nossa auto-estima em cima, o que é meio caminho andado para que o dia corra bem. Se no fim, conseguirmos poupar algum dinheiro, melhor ainda, podemos gastá-lo em experiências, que (dizem por aí), é o que verdadeiramente nos faz felizes. 
Sou fã do minimalismo, mas a verdade é que não possuo disciplina necessária para o aplicar no meu dia-a-dia, apesar de por vezes tentar. 
Desta vez, decidi que não vou mesmo facilitar, e para isso as regras na minha “demanda do roupeiro”, serão:
  • Se não visto há mais de cinco (?) anos, então não vou voltar a vestir.
  • Se comprar uma peça nova, terei que retirar uma velha do mesmo tipo.
  • Se está apertado, largo, curto (...), e não tem arranjo, não vale a pena guardar.
  • Se algo me suscitar muitas dúvidas (já sei que não vai ser fácil à primeira), meto num cantinho do roupeiro, e se nessa estação não usar… Na próxima vai fora.
E já agora, se alguém souber de outros truques para ajudar a manter a disciplina, agradeço a partilha.



2 comentários:

Cláudia M disse...

Comigo acontece-me o mesmo. Apesar de não ter o meu roupeiro (em portugal) a arrebentar pelas costuras, tenho peças que não uso há anos, mas que continuo a guardar para um dia... Para um dia que apeteça usar, porque até é gira, porque nunca usei e custa-me desfazer dela, etc Mas o tempo vai passando, e as peças lá vão ficando a ocupar espaço.

Sou como tu, uma minimalista, em teoria ;)

Um beijinho, Natália

Escrever Fotografar Sonhar disse...

... guardar para um dia... É uma frase que também uso bastante. :)
bjs