15 de julho de 2016

Desastre capilar

Acho que nunca falei disto aqui, mas uma das coisas que mudaria em mim se pudesse, seria o cabelo. 
Já foi forte e bonito, mas agora anda pelas ruas da amargura.
Quando vim para Lisboa (faculdade), percebi que o cabelo começou a ganhar uns jeitos e a perder algum brilho. Na altura dizia que a culpa era da agua, mas hoje acho que para além disso, a poluição, mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida, tudo deve ter contribuído para as alterações.
A partir do momento que comecei a trabalhar, começou a ficar mais frágil, mais oleoso, e por vezes caía para lá do normal. Aumentei a frequência das lavagens, até chegar ás lavagens diárias. Piorou. 
Desesperada resolvi pedir opinião médica. Vários dermatologistas depois, e análises a tudo e mais alguma coisa, avançaram com uma conclusão: stress (acho que é o que se conclui quando não se encontram razões). Stress, é algo com que todos temos de lidar ocasionalmente e contra isso pouco há a fazer. Fui experimentando novos produtos de lavagem, fiz alguns tratamentos anti-queda, tudo sem grandes melhorias.
Passei por uma fase de cabelo curtíssimo, sugestão de um dermatologista, (homem, claro!), na tentativa de lhe dar força e evitar lavagens diárias. Era prático, mas não me favorecia.
Voltei a deixá-lo crescer até  aos ombros, e aceitei que nunca mais iria ser o mesmo.
A necessidade de ir mudando de visual (qualquer miúda entende isto),  levou-me a vários cortes e algumas experiências mais ou menos felizes. Quando mudei de emprego, decidi fazer uma ondulação para lhe dar volume. Não foi a minha melhor ideia, mas passado um mês até começou a ter graça.  
Isto foi há 15 anos.

De há uns meses a esta parte tenho andado um pouco farta da rotina matinal de lavar e esticar o cabelo. Com a chegada do calor e férias à vista, a ideia de voltar a fazer uma ondulação começou a parecer boa (a nossa memória é uma coisa deveras interessante). Pensei, “em 15 anos os produtos devem ter evoluído imenso, pelo que, se pedir uma ondulação leve, ganho volume, umas ondinhas de surfista, e pela manhã é só lavar e secar naturalmente”. Apesar do receio da irreversibilidade, a ideia foi ganhando corpo e cada vez me parecia melhor. Decidi arriscar. Fui ao sítio do costume.
A S. cabeleireira que me atende e me entende estava de férias, indicaram-me a E. 
Uma vozinha dizia-me para adiar, mas não quis ser mau feitio, pelo que expliquei bem o que pretendia e convenci-me que iria correr bem. A ansiedade que sentia era fruto do medo da mudança (pensava eu).
Tentando abreviar uma história que já vai longa: correu tudo mal.
Deu-se ali um fenómeno de interrupções sucessivas, pela chegada de novas clientes, levando a que eu tenha andado de mão em mão (4 pessoas diferentes) e em vez dos 5 minutos aconselhados para o químico actuar, passaram mais de 10. O resultado foi ter acabado com o cabelo completamente frisado e sequíssimo. 
Segundo a E. “ninguém era responsável pelo desastre, o cabelo estava demasiado fragilizado e isso ás vezes acontece.”
Fiquei pasma. A sério!?
Devia ter dado ouvidos aquela vozinha.
Acredito que se tivesse sido atendida pela S. podia não ter ficado perfeito, mas teria ficado melhor. Ela ouve com atenção, e acompanharia o trabalho do principio ao fim (como uma boa profissional que é), garantindo que os tempos dos momentos chave, não eram ultrapassados.
Agora o mal está feito. 
Passou uma semana e ainda não tive coragem de usar o cabelo solto, pois pareço um caniche com a suavidade da palha de aço. Como uma desgraça nunca vem só, ainda precisa de ser pintado, e a tinta vai piorar a estrutura capilar. 
Pintar ou não pintar, é agora a questão que me atormenta...
Para me tentar animar, digo que o cabelo cresce, e que há dramas piores, mas qualquer miúda sabe, que da lista dos dramas de beleza, sair do cabeleireiro pior do que se entrou, está no top 3.

Aceito sugestões para remediar o irremediável!


5 comentários:

Anónimo disse...

Não tenho muito jeito para cabelos (nunca tive :-(), mas é verdade que o cabelo cresce e tudo vai passar! Olha à volta e pensa que há coisas bem piores, sem solução...

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Verdade. O meu drama comparado com o que ultimamente tem acontecido no mundo não é nada. Relativizo, claro. Mas reclamar dos "nadas" que nos incomodam, faz parte da natureza humana, tal como procurar soluções.

Cláudia M disse...

Não é normal o que te fizeram :( que incompetência! e sem assumirem a responsabilidade... enfim!

Eu neste momento, não te aconselho a pintar já de seguida, se ele está assim tão fragilizado... acho que ainda vai ficar pior. Talvez fosse boa ideia, experimentares uma boa máscara (se ele é oleoso, não apliques na raiz). Estando ele tipo palha de aço, uma máscara bem hidratante, estou-me a lembrar da Kerastase ou Loreal(de cabeleireiro), porque penso que uma de supermercado não vai fazer grande coisa.

Que chatice, quando vamos ao cabeleireiro, muitas vezes a intenção, para além de mudarmos um pouco, é também, de nos sentirmos melhor, mais bonitas, mais animadas e sairmos de lá assim... ainda ficamos pior. :(

Beijinho

Catarina Gralha disse...

Eu confesso: não percebo nada de cabelo. Por isso só te posso desejar força :) Ele volta a crescer, por isso agora tens só de aguentar um pouco. Pode ser difícil, se não nos sentimos bem com a nossa aparência, mas pensa que ao menos é temporário!

Escrever Fotografar Sonhar disse...

O copo meio cheio? Agora tenho juba!