10 de novembro de 2016

Mundo

Não sou uma pessoa de política. Não é que não me interesse, vou acompanhando, mantenho uma mente aberta, mas na verdade fartei-me de ser decepcionada. Ainda assim, depois de decidir não escrever sobre o resultado das eleições que todos comentam, volto atrás na decisão. 
Começo por dizer que não estou assim tão surpreendida. Tinha esperança de estar enganada, mas nas ultimas semanas sentia que já estava a ver aquele filme pela segunda vez. Há 16 anos atrás, também parecia impossível o Al Gore, perder perante a notória falta de bom senso do outro candidato. 
As pessoas que votam hoje, são quase as mesmas que votaram há uns anos atrás. E vendo bem, a campanha psicológica do medo, intensificou-se. A par disso, a guerra, a miséria, a escassez e a crise económica, cresceram também. Com informação e desinformação, o medo infiltrou-se insidiosamente, ao ponto de condicionar o nosso dia-a-dia, e atentar contra a liberdade geral. Convenceu mais pessoas, açambarcou mais almas. E, todos os restantes motivos para originar decisões destas, a intolerância, o egoísmo, a homofobia, e por aí fora, são consequências directas desse mesmo monstro (o medo) que cresceu de forma descomunal.

Infelizmente, também me parece que o género teve algum peso nesta decisão. E aqui, neste ponto fico especialmente triste, porque nós mulheres somos as primeiras a duvidar, não nos defendemos, não acreditamos em nós. Deixamos que nos convençam que não somos suficientes, e é pena, porque somos igualmente capazes, inteligentes, e merecedoras. Além disso temos connosco "skills" extra, como uma enorme capacidade de empatia, doçura, sensibilidade.
Compreendo que alguns homens sintam o seu ego ameaçado, tendo em conta as centenas de anos de uma mentalidade maioritariamente machista. Não compreendo o resto. Não compreendo que muitos, perante a escolha de uma mulher claramente competente e um homem absurdo, escolham para presidente o "absurdo", por ser homem.
Não me alargo mais, pois cada vez tenho menos certezas. Isto é só a minha (pequena) visão do mundo, mas parece-me que temos muito trabalho pela frente, se queremos deixar aos nossos filhos um mundo melhor. 
Quero acreditar na esperança. Quero acreditar que temos o poder de mudar tudo, e que isso começa dentro de nós, da nossa casa, da nossa comunidade, na educação dos nossos filhos, no relacionamento com o que nos rodeia. Subscrevo inteiramente o que diz uma amiga minha, "aquilo a que damos atenção cresce, vamos dar mais atenção ao amor".




   

2 comentários:

Maria Rita disse...

Não compreendo o mundo, necessidade de mudança e falta de opção, o mundo anda cansado dos velhos do Restelo não?

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Andamos todos cansados de ver sempre os mesmos resultados. Só mudam as moscas, mas continuam a ser moscas.