9 de fevereiro de 2017

O leitor abstrato

Há momentos em que dou por mim, a olhar para a sequência de eventos que define a minha vida, como se de literatura se tratasse. Como se eu fosse um leitor emproado e sabichão, a analisar uma personagem que (ainda) anda meio perdida nalguns capítulos do livro que está "a ler". 
Como leitor, critico o autor, como se soubesse melhor, o rumo que os personagens deveriam tomar. Porque não faz sentido, porque ninguém no seu "perfeito juízo" deriva desta forma. E nesta posição, espanto-me com o absurdo que são, algumas das decisões tomadas, pelo principal personagem desta história (a minha).
Olho para o enredo onde me movo, para as interacções com os outros, e conforme a situação em causa, apetece-me intervir e gritar, “não faças isso!” , “Vai lá, e resolve tudo de uma vez…” e por aí fora. Como se fosse o mais lógico, e só eu (como leitor) o percebesse. Como se pudesse impedir o principal personagem (eu) de cometer erros, que parecem básicos a quem está de fora.
Parece uma coisa um bocado esquizofrénica, mas acredito que todos temos momentos, em que "ouvimos" uma vozinha a dizer o óbvio, como se de um leitor informado se tratasse, impávido e sereno, a vaticinar sobre os acontecimentos da nossa vida, na posse de uma visão mais completa da história. 
Ouvimos (sabemos que tem razão), mas decidimos com o que de mais humano trazemos connosco, as emoções (sejam elas boas ou más) e agimos (mais uma vez) contra toda a lógica. Que contra (algumas) emoções não há razão que nos valha.


Oeiras

2 comentários:

Claudia Mascote disse...

Aí é que está. Contra algumas emoções não há razão que nos valha. E muitas vezes isso prejudica-nos tanto... Mas continuamos a insistir ou a acreditar...

Um beijinho querida Nat

Escrever Fotografar Sonhar disse...

Sim, algumas emoções fazem-nos mais mal do que bem. Acho que levamos uma vida inteira a aprender a lidar com essas. Reconhece-las é só o princípio. Bjs.